O RECANTO DAS LETRAS É DEMOCRATICAMENTE INJUSTO

A página inicial do Recanto das Letras é democraticamente injusta.
Seu sistema a base da Democracia, que dizem ser o melhor entre os piores, privilegia os desiguais ao conceder a cada autor, durante determinado período, exatamente o mesmo espaço de tempo.
E, ironicamente, quanto mais democrática ela é, menos tempo um bom texto permanece em evidência e mais injusta ela se torna.
Foi o que aconteceu com meu último texto sobre o filme Valor Sentimental, que você pode ler aqui. Ele acabou soterrado por uma miríade de textos que caberiam muito melhor no Facebook ou no Twitter, produzidos sem o mínimo de elaboração, ocupando justamente o espaço de textos mais densos.
Se o Recanto adotasse um critério próximo da epistocracia — governo, ou maior poder político, dos mais conhecedores ou competentes — ou mesmo de uma tecnocracia, isto é, do governo dos especialistas, textos didáticos, com conteúdo e que efetivamente contribuíssem para as Letras seriam fixados na página inicial, em vez de desaparecerem rapidamente.
Felizmente, construí, ao longo do tempo, uma audiência cativa de leitores que visitam minha escrivaninha independentemente de eu publicar ou não.
Pelo contrário: quanto menos publico, mais sou lido, como demonstrou este fim de semana, em que permaneci ausente.
Esses leitores vêm pelo autor, não pela página inicial.
Essa é a verdadeira epistocracia.
Melhor do que ser um bom autor, quero ter bons leitores, daqueles que sempre voltam.
Para quem quiser ler meu último texto sobre o valor sentimental do Recanto das Letras e sobre o filme Valor Sentimental, de Joachim Trier, clique aqui:
VALOR SENTIMENTAL NO RECANTO DAS LETRAS.
https://daveledave.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=8673111