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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos


A SOCIEDADE ADORA HISTÓRIA REDENTORA: E AQUI ESTÁ A MINHA

 



DAVELEDAVE.RECANTODASLETRAS.COM.BR

 



Eu não tenho história triste pra contar.

Infância difícil? Antes, o contrário.

Ela é fruto da minha salvação; a educação que tive é reflexo do meu comportamento até hoje.

 

Se você vir esse post em que mostro fotos antigas, nele quase se nota: a minha versão mirim é praticamente a mesma de agora.


DAS CRIANÇAS É O REINO DE DEUS (fotos minhas antigas) (ATUALIZADO)

 


 

O JOGO TORTUOSO DA VIDA

Porém, a vida não é uma jornada constante num trilho sem percalços. Ela é tortuosa.

Ela é um jogo — de apostas, não de certezas.

 

Nela, disputam Eros e Tânatos, o instinto de vida e o de morte, pela primazia do corpo.

Como num jogo, sucumbir a Tânatos é como jogar sob o efeito negativo do status de

poisoned, berserk, 

slowly.

Isso dificulta a jogada, mas não impede de continuar jogando, evoluindo, de chegar ao final e vencer.

 

Como na vida, estive à beira do fim — e tive que usar alguns continues pra seguir.

Mas hoje, meus status são os mais saudáveis possíveis.

Minha build e atributos estão bem distribuídos.

Cada vez que invisto em mim, em saúde e cultura, aumento meus continues.

 

Mesmo sabendo que o destino inexorável da vida é o fim do jogo — a morte — sigo.

Ela pode vir por acaso, por um inimigo invisível, por doenças ou catástrofes.

Mas tudo isso são apenas caracterizações humanas, não realidades em si.

 

São palavras. Retórica. Verborragia. Até pernosticismo.

 


 

O ABISMO DO SENTIDO

Porque, se você procurar sentido na vida, verá que o sentido é que não há sentido algum.

A gente não descobre o sentido — a gente o inventa.

 

Quando você se depara com o fato de que a vida não tem sentido, está diante do que chamamos de absurdo.

A diferença é que há pessoas que se sentem mal com o absurdo e o nada, e há outras — como eu — que sentem nisso a liberdade.

 

Ora, se o mundo é uma tela em branco, então sou eu quem vai adicionar as coisas nela.

Pra quem cria, isso é perfeito.

 

Sou menos um escritor do que um escriba; menos um artista da palavra, mas mais um artista de si mesmo.

Mas pra quem não tem espírito, só resta o nada — e então procura resposta em mundos fora da realidade: o paraíso cristão, o paraíso socialista, os paraísos hedonistas.

 

Mas tudo isso é o nada. É repetição.

É o trabalho árduo e inútil de Sísifo — rolar uma pedra que sempre volta, sem nunca chegar a lugar algum.

 


 

A FELICIDADE SEGUNDO SÍSIFO

Então, como diz Camus, é possível imaginar Sísifo feliz nessa condição?

 

Pra mim, não.

Porque as pessoas repetem comportamentos que, como o de Sísifo, não foram escolhidos por elas.

 

Já a felicidade, pra mim, é a repetição dos caminhos que eu mesmo escolhi.

 


 

A MINHA ÚNICA REDENÇÃO

A única redenção que me falta é o retorno da pessoa de antigamente que eu amava.

Essa pessoa que nem sei se ainda existe.

 

Pois, quando a avaliei, estava num estado fisiológico doente — e, por isso, a julguei mal.

 

Hoje, sadio, reconheço a falta de beleza.

E a beleza, o que é, segundo Stendhal?

Uma promessa de felicidade.

 


 

ENTRE O AMOR E O JOGO

Eu caminho todos os dias para alcançar minha melhor versão.

Mas talvez você perceba que, nesse caminho, deixou alguém pra trás — rápido demais.

 

O estado fisiológico em que a julguei no passado pode ter sido erro, mas também frustração.

Aprendi com o cinema americano que as histórias — principalmente as de amor — precisam ter começo, meio e fim.

 

E todas as minhas relações foram assim.

Mas com ela, só houve começo e fim.

O meio, preenchi com a imaginação.

 

Quando digo, batendo no peito, que se eu tivesse a oportunidade de conviver com a Helena do meu bairro, com a princesa de Ubai — ou com ela — com certeza eu teria êxito.

 

Meu comportamento basal não muda: não sou diferente do que escrevo ou mostro.

Enquanto a paixão dura momentos, o amor é o que se aprende.

Relacionar-se é uma questão moral — uma simulação do comportamento de quem ama.

É isso que sustenta os relacionamentos.

 


 

O PAPEL DO SEDUTOR

O papel da sedução é jogar com a emoção da paixão.

Entender que a mulher terá questões morais aprendidas com o passado, com a ética.

 

Mas amar o marido ou o companheiro — ela não ama.

A sociedade e a convenção farão ela sentir culpa por trair, mesmo que deseje.

 

O papel do sedutor é vendar essa culpa.

Tirar a restrição.

Fazer o desejo triunfar — através da beleza de si, que é uma promessa de felicidade.

 

Viu? Promessa.

Não garantia.

 

Eu não estou dizendo o que é certo ou errado.

Apenas descrevo como o jogo da sedução é jogado.

Eu não crio as regras.

Só jogo.

Só participo.

Só falo como ele é.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 11/10/2025
Alterado em 11/10/2025
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