DAS CRIANÇAS É O REINO DE DEUS (fotos minhas antigas) (ATUALIZADO)

Aquela letra da minha professora me fez vasculhar meu acervo pessoal em busca de lembranças, memórias, recordações.
E percebo que, como naquela bela música de Kavinsky com a Lovefoxx no vocal — que aparece no filme Drive e que coloco hoje na capa do meu site: “There is something about you, it’s hard to explain… they talk about you, boy, but you still the same” — tudo já estava escrito no meu gosto e nas minhas escolhas.




Tudo está ligado.





Aquela garota loirinha dizia que era minha namorada e não saía do meu pé, dizia minha mãe. Ela mesma falava que era meio esquisita. E isso não me surpreende.
Garotas de biotipo bonito, mas um tanto “estranhas”, sempre tiveram uma queda por mim (alô, Flora!). Esse tipo de figura feminina sempre se encantaram por mim.
A professora que aparece me abraçando chamávamos de professora Maria.
Mesmo levando a minha marmita, eu pegava a dela, porque achava mais saborosa — principalmente quando ela levava bife à milanesa.
Disso eu me lembro perfeitamente.
Desde aquela época, me parece vir essa coisa de querer comer algo de alguém com Maria no nome.
Recordo-me também da menina que fazia par comigo na fila, só que do lado das garotas, porque ao meu lado eu segurava a mão da professora — afinal, éramos os mais baixos de cada lado.
Ela se chamava Taís. Hoje trabalha no supermercado, o mesmo da bela Helena, a “princesa local” que este “Paris” (eu mesmo) gostaria de reivindicar para si.


E como essa garota da foto tornou-se trabalhadora de supermercado — vítima das circunstâncias — eu me tornei o que sou: aquele que escreve sobre ela.
No sentido prático, ironicamente, ela até ganha mais do que eu hoje, rsrs. Mas como gosto de frisar: não existe apenas capital financeiro, mas também o cultural, o erótico, o simbólico… e por aí vai.
As fotos são da excursão a Taubaté para conhecer o sítio de Monteiro Lobato.
Fomos com monitores, e minha mãe, oportunista e preocupada como sempre, quis ir junto. Ainda bem — porque pôde tirar as fotos que guardo até hoje.
Andamos de trem, vimos uma peça de teatro e, no meio da encenação, dei um beijo na Emília.

E ali também está a Lilian.

Os maldosos vão dizer que ela não é “tudo isso” que eu descrevo para ser minha musa. Mas, sinceramente, quem tem mau gosto são eles.
Essa outra garota da excursão é a Jaqueline. Igual à música do Franz Ferdinand. Só que, diferente da letra, ela não tinha 17 anos — mas uns 8.

No futuro, talvez quando ela tivesse 13 ou 14, a gente acabou ficando. Não lembro direito a idade.
Quem se recorda da crônica que narrei no Recanto das Letras com meu parceiro Bio vai entender: foi ela que, anos depois, vivia instigando, perguntando a várias garotas se queriam ficar comigo.
Até que o Bio, com aquela sagacidade dele, disse a ela: “Mas não parece que é você quem quer ficar com ele?”
O silêncio dela e o rubor no rosto denunciaram o sim. E ficamos mesmo.
Era engraçado, porque estudamos juntos vários anos: ela, a CDF; eu, o bagunceiro.
E há nessa liturgia social uma regra tácita: a CDF pode até gostar platonicamente do bagunceiro, mas dificilmente ficam juntos. Só às escondidas. E foi assim. Só fora da escola.
Agora, mais fotos da excursão.


Essa, por exemplo, fui eu quem tirei: da minha mãe

E a questão da tecnologia.



Ter computador em 1997, antes do temido bug do milênio no ano 2000, não era nada comum.
Não existia ainda essa presença constante da internet; era quase como ter um objeto misterioso dentro de casa.
Eu explorava o Paint, desenhava bandeiras, inventava cores e formas. Já sabia usar o Word, alinhava textos, experimentava fontes, descobria o poder da escrita no espaço eletrônico.
Tudo isso antes da febre do “computador do milhão”, quando de repente parecia que todos queriam possuir o seu.
Para mim, aquele tempo já era uma antecipação de futuro — uma janela aberta para um mundo que ainda não tinha começado de fato que se tornaria parte do futuro de quem sou hoje.
