
Sou um pouco como Montaigne. Seria esse o título do texto se eu não tivesse que vulgarizá-lo, recorrer ao artifício da manchete, apenas para ver se o texto consegue mais alcance.
Mas convenhamos: num site de nicho, onde tenho média de 100 leituras diárias sem divulgar, sem comentar, sem fazer nada além de escrever organicamente, quem vem, vem porque quer. Vem porque gosta. Ou por hábito. Talvez até como quem fuma: por vício. Algo que, uma vez experimentado, não se consegue largar mais.
Minha página no Recanto é como os ensaios de Montaigne. Impressiona o fato de que você está lá, lendo sobre um assunto filosófico sofisticado, e do nada se depara com uma afirmação sobre a preocupação dele com o tamanho do próprio pau.
Na verdade, o que ele fazia era um diário pessoal. Uma confissão agostiniana. Ele falava com resignação estoica sobre a morte dos filhos, sobre ter amantes, sobre sua postura cética diante do mundo. Um mundo ao qual eu me identifico — apenas, obviamente, com a diferença do pau pequeno, por razões óbvias, né…
É exatamente aí que encontro a semelhança com a minha escrita. Quem conhece, sabe.
É pena que um texto como o meu último, leia aqui:
tenha ínfimas 6 leituras, quando merecia umas 60… ou até umas 600. Não pelo estilo, não pelo conteúdo ou pela forma isoladamente, mas pela junção criativa de tudo isso: forma, estilo e conteúdo.
Mas, apesar disso, o mês de setembro — se o editor não usou bots para inflar os números e me manter assinando o site — vem sendo alvissareiro.

O objetivo de quem escreve é sempre escrever, óbvio. Mas, sem alguém para ler, não faz sentido. É um monólogo. Um solilóquio vazio. Um eco que se perde no nada.