
Erundina, aos 92 anos, fez uma declaração emocionada logo após a vitória de Lula, dizendo: “Obrigado por não me deixar morrer longe da democracia”.
O Brasil já sofreu com uma ditadura que perseguiu líderes políticos e artistas que, embora amassem seu país, foram exilados — como veremos nos fatos apresentados ao fim deste texto. Um deles, que democraticamente teve 60 milhões de votos na eleição em que seu partido mais elegeu deputados, fugiu. Seu comportamento nos debates, desrespeitando Lula, tentando roubar a cena e chamando-o de “nove dedos”, já mostrava que era um moleque e mentiroso.
Lula, pelo contrário, mesmo quando a Polícia Federal invadiu sua casa e não encontrou provas, jamais fugiu do país. Foi condenado por um juiz incompetente, Sergio Moro, em um processo marcado pela ausência de provas — que não existiam naquela condenação — e, ainda assim, provou sua inocência nos tribunais, a despeito do ódio da elite que mandou prendê-lo por intermédio de Moro.
Lula, como líder nacional, negou um acordo de exílio. Disse que provaria sua inocência — e provou. Recusou a tornozeleira eletrônica porque não era pombo e não ficaria preso na própria casa. Disse que não trocaria sua dignidade pela liberdade.
Flávio, por sua vez, não trocou seus milhões roubados pela liberdade de viver na Flórida, sob o sol — claro, porque a Flórida parece mais com o Brasil, para demonstrar todo o seu patriotismo.
Quem não entende que o que está por trás do ódio a Lula e aos trabalhadores não é luta de classes, mas ódio de classes? O racismo de pele convertido em racismo cultural por Sergio Buarque de Holanda, para dar legitimidade à ideia de que a cultura negra e a do pobre são inferiores à do brasileiro europeizado, de ascendência estrangeira e branca — ainda que ele também seja pobre.
Porém, por ser branco e ter origem estrangeira, já se sente superior. E os brancos que chegaram à elite por terem enriquecido, como os barões do café paulista, usam a imprensa e as universidades para promover o ódio aos pobres, fazendo com que a maioria da população adira à moral deles, em detrimento dos próprios interesses do povo.
Tudo bem que o vizinho ou as pessoas que sofreram o crime social de não poder estudar não percebam isso. Mas, agora, quem estudou — jornalistas, por exemplo — aderir a essa tese para oprimir os pobres só pode ser mau-caráter.
Durante a Ditadura Militar brasileira (1964–1985), diversas personalidades da política, da literatura, da música, do teatro, do cinema e do jornalismo foram perseguidas pelo regime.
A perseguição não se limitou aos integrantes de organizações armadas. Intelectuais, artistas, sindicalistas, estudantes, jornalistas e políticos que se opunham à ditadura também foram submetidos à censura, à prisão, ao exílio, à tortura e, em alguns casos, ao assassinato ou ao desaparecimento forçado.
É importante distinguir três situações: pessoas perseguidas por sua oposição política, pessoas censuradas por suas obras e pessoas que foram vítimas diretas da repressão estatal. Muitas estiveram sujeitas a mais de uma dessas formas de violência.
A perseguição também atingiu professores universitários e pesquisadores. A USP, por exemplo, teve centenas de integrantes investigados, fichados ou afastados. Folha de S.Paulo +1
Chico Buarque: censura de músicas, vigilância e perseguição política.
Caetano Veloso: preso em 1968 e posteriormente exilado em Londres.
Gilberto Gil: preso em 1968 e exilado com Caetano.
Geraldo Vandré: censurado, perseguido e exilado após o sucesso de suas canções de protesto.
Milton Nascimento: vigiado pelos órgãos de informação e submetido a restrições e ameaças.
Gonzaguinha: teve músicas censuradas e foi investigado pela repressão.
O caso de Milton Nascimento é especialmente significativo: documentos do Serviço Nacional de Informações mostram que ele era monitorado e que chegou a ser proibido de circular em São Paulo. Serviços e Informações do Brasil +2
O grupo dos Oito da OEA reuniu intelectuais e artistas presos durante uma manifestação contra a ditadura, entre eles os escritores Antônio Callado e Carlos Heitor Cony. Funag +1
Esses são alguns dos casos mais graves da repressão:
O caso de Frei Tito é particularmente trágico: as torturas sofridas durante a prisão deixaram marcas psicológicas profundas. Memórias da Ditadura +2
Nem todas essas personalidades foram perseguidas da mesma maneira.
Podemos distinguir:
A Comissão Nacional da Verdade identificou mais de 400 mortos e desaparecidos políticos e responsabilizou 377 agentes do Estado por graves violações de direitos humanos durante a ditadura. CBN +1
O ponto central: a ditadura não perseguiu apenas aqueles que pegaram em armas. Ela também reprimiu pessoas que produziam cultura, ensinavam, escreviam, organizavam sindicatos, participavam de manifestações ou simplesmente eram consideradas politicamente suspeitas.
A vigilância e a repressão alcançaram até indivíduos sem militância organizada. Serviços e Informações do Brasil +1