
Nunca vi o quadro de Gregório Duvivier, esse mequetrefe do Porta dos Fundos, mas sei que ele faz vídeos sobre palavras, como “mequetrefe”. Então resolvi pagar pau e copiá-lo antes que ele tenha a mesma ideia. Afinal, por que pagar para alguém ter uma ideia que eu mesmo posso ter? E, se ele ainda não teve a ideia, por que não pagar pau para mim mesmo, pela ideia que talvez seja dele?
O que seria pagar um pau? Seria bisbilhotar o pênis do companheiro de mictório ao lado? Antigamente, pagava-se em sal o trabalho do trabalhador, daí o salário. Será que a extrema direita daquela época, em vez de dar sal aos trabalhadores, dava-lhes paus? Ou seja, em vez de remunerá-los, recheava-os de pauladas?
Daí o tom pejorativo de quem copia o outro: em vez de oferecer um pagamento pecuniário, como o salário, paga-lhe com pau. Paga-pau. Como o santo de pau oco, que não vale nada.
Eis, portanto, a diferença entre pagar alguém pelo trabalho e pagar pau para alguém pelo trabalho que ele fez. No primeiro caso, há remuneração; no segundo, há imitação, bajulação e, dependendo do tamanho da admiração, até uma disposição para tomar… pau.
Afinal, se o sujeito não tem uma ideia própria, mas vive repetindo as ideias dos outros, o que ele faz? Paga pau. E, se ainda por cima se acha intelectual, temos um caso particularmente interessante: alguém que não produz o pensamento, mas se dedica a admirar quem produz.
É por isso que resolvi pagar pau para Gregório Duvivier antes que ele faça um vídeo sobre isso. Não quero que ele fique com a ideia. Quero ser o primeiro a pagar pau para uma ideia que talvez nem seja dele.
E, se ele fizer um vídeo depois, não será plágio. Será apenas mais um pagamento em espécie.
Paga-pau: aquele que, não tendo nada a oferecer, oferece a própria admiração.