
Flávio Bolsonaro tem tanto teto de vidro que chega a ser impressionante vê-lo querer se eleger sob a bandeira do combate à corrupção. Mais impressionante ainda é ver pessoas dispostas a elegê-lo com base nessa mesma bandeira. São tantos escândalos diários que o pior é sempre outro: o último. Agora, temos sua relação com o advogado investigado por lavagem de dinheiro, amigo de fazer xixi cruzado, acusado de tomar a ilha do menino Richarlison e com quem Flávio teria negócios em comum.
É certo que, para não acabar preso em decorrência desse inquérito e do caso Master, a única saída de Flávio parece ser tornar-se presidiário da República. Esperemos que milhões de brasileiros não sejam cúmplices desse crime eleitoral, assim como desejam inocentar os golpistas de 8 de janeiro.
Também não chega a surpreender a notícia de que Flávio, apesar de defensor da família tradicional, teria participado de uma orgia com garotas de programa em uma festa de empresários interessados em vender vacinas e recebido um Rolex de presente. Mas a festinha valeu a pena: eles de fato conseguiram o contrato.
Quando um de seus principais apoiadores, Sergio Moro, colocou o atual presidente na cadeia sem que houvesse provas materiais concretas suficientes para sustentar aquela condenação — posteriormente anulada, com o STF reconhecendo a parcialidade de Moro no caso do tríplex —, ainda assim foi recompensado com um cargo no governo daquele que só se elegeu usando a bandeira do combate à corrupção.
Hoje, Moro está politicamente alinhado a antigos adversários, enquanto Flávio Bolsonaro pretende chegar à Presidência em meio a suspeitas e questionamentos que exigem explicações. E o que dizer de um candidato que, segundo seus críticos, busca o cargo para obter imunidade e beneficiar a própria família, sem demonstrar constrangimento diante das contradições de seu discurso?
É por isso que a história da República brasileira é tão decepcionante: ela foi proclamada, mas jamais plenamente colocada em prática.