
Sabe aquela pergunta que o Abujamra fazia aos convidados: “Clóvis, para você, o que é a vida?” E então uma conversa entre dois intelectuais, destinada talvez a produzir uma resposta metafísica definitiva sobre a existência humana, acaba virando meme — igual àquela repórter que pergunta para o sujeito de boné e sem camisa se ele conhece Osasco e ele responde: “Vish… só de ouvir falar já dá até um arrepio.” Mas também ela correu o risco ao indagar alguém do estereótipo boné de aba reta e sem camisa…
Como sou generoso, segue o link: https://youtu.be/g_dwFWtO3bw?is=Lhag7x72HXfe0JYL
Eu responderia ao saudoso Abujamra exatamente com o título deste texto: para mim, a vida é você sonhar com um texto de Maria Luiza, mas acordar com um de Akogare.
E aqui eu não estou falando de beleza física, até porque ambos não possuem foto. E, apesar de o Akogare dizer que o rosto dele é mais deformado que o de Frankenstein, acho isso um pouco de exagero, porque duvido que alguém ache Frankenstein tão feio assim…
Refiro-me à beleza tal como Thomas Mann parecia entendê-la: também como uma forma de arte. Uma beleza que se manifesta no agir, no pensar, no caminhar, na postura; que emana de uma pessoa para além das aparências, de modo que, mesmo sem vê-la, já podemos dizer: isso é belo. Talvez seja justamente esse o tipo mais interessante de beleza, porque não depende do rosto que a carrega. Às vezes chega antes dele.
É esse tipo de beleza que vocês me despertam e por causa da qual faço questão de interagir, escrever, separar tempo e pensamentos. Às vezes uma frase inteira; às vezes apenas uma vírgula ou mesmo um ponto final. Desde que seja original, desde que seja meu, desde que seja belo.