

Alexandre Frota é um sujeito curioso, aliás. Grande participante de reality show, já chamou Mari Alexandre de “pata” na Casa dos Artistas, foi ator, virou político, fez televisão, teatro e ainda teve uma passagem por um gênero cinematográfico que, confesso, conheço menos. Nunca vi seus filmes pornôs. Digamos apenas que diferem um pouco do cinema que costumo assistir. Sou mais Nouvelle Vague, Tarkóvski, essas coisas. Embora, pensando melhor, talvez a filmografia do Frota esteja menos distante de Pink Flamingos, do John Waters, sobretudo porque em determinado momento ele contracenou com Bianca Soares, uma atriz trans. Se alguém algum dia organizar uma retrospectiva “Alexandre Frota: corpo, política e transgressão no audiovisual brasileiro”, talvez eu finalmente assista alegando interesse acadêmico.
Rafinha Bastos, num de seus números, tem uma descrição do pênis do Frota como uma espécie de sorvete napolitano de três cores. Não sei se isso é informação, metáfora, crítica cinematográfica ou apenas mais uma coisa que eu viveria perfeitamente bem sem imaginar. Mas, se eu estivesse na plateia, provavelmente gritaria: “Mas você chupou para saber?”. É esse tipo de intervenção que faz com que eu ainda não tenha sido convidado para participar de nenhum programa de auditório.
A trajetória amorosa do Frota também produz situações genealógicas curiosas. Claudia Raia foi casada com ele antes de formar família com Edson Celulari, com quem teve Enzo Celulari. E coitado do Enzo. Ser filho de Edson Celulari e Claudia Raia deve proporcionar um orgulho enorme: você olha para os dois e percebe que a genética realmente trabalhou em horário integral naquele projeto. Por outro lado, também deve existir aquele instante inevitável da adolescência em que alguém lhe conta que sua mãe foi casada com Alexandre Frota.
Não é exatamente um trauma. É apenas uma informação que chega.
Você está tomando café, vivendo normalmente, e de repente pensa: “Alexandre Frota já foi meu padrasto em uma realidade alternativa.” E cospe o café fora.
Acho que depois disso o sujeito amadurece uns três anos.
E agora descubro que Alexandre Frota aparentemente também chegou ao Recanto. O homem já passou por reality show, novela, pornografia, política e, pelo visto, literatura. Sinceramente, se amanhã eu descobrir que ele está restaurando afrescos numa igreja barroca em Ouro Preto, não vou mais me surpreender.
Alexandre Frota não tem currículo.
Tem temporadas.