
As pernas das mulheres são compassos que percorrem o globo terrestre, dando-lhe equilíbrio e harmonia. Seus rostos e suas bocas trazem o enigma da Esfinge às avessas: “Decifra-me enquanto te devoro.” Não há resposta certa para o enigma, porque talvez o encanto esteja justamente em jamais terminar de decifrá-lo.
O dorso é de mármore, como o da Vênus de Milo; mas, ao contrário dela, os braços são tão longos que parecem capazes de abraçar o mundo inteiro. Há no corpo feminino alguma coisa de escultura e movimento, de permanência e vertigem: uma geometria que não se resolve em medidas, uma harmonia que o compasso alcança, mas que a razão jamais explica por completo.
É por isso que o corpo feminino é um mistério sem segredo: tudo está diante dos olhos, e ainda assim permanece indecifrável.