
Pensando na qualidade do cinema nacional, famoso historicamente por suas pornochanchadas — e, não só nisso, mas também na enorme valorização que o país costuma dar aos seus cineastas, principalmente aos recém-formados —, toda faculdade de Cinema deveria ter pelo menos um semestre dedicado à direção de filmes pornôs.
Com certeza é um futuro profissional possível. Talvez até melhor do que passar cinco anos dirigindo comerciais de banco, creme dental ou cerveja e infinitamente melhor do que acabar dirigindo novela das sete da Globo ou alguma novela bíblica da Record.
Aliás, um semestre?
Talvez uma semana resolva.
Não precisa ser Quentin Tarantino, Charlie Kaufman ou Paul Schrader para escrever o roteiro. Bastam algumas onomatopeias sexuais, uma história envolvendo bombeiro, médico, encanador ou entregador de pizza e uma câmera razoavelmente estável.
Figurino também não seria um problema.
Na verdade, talvez fosse a matéria com o menor orçamento de figurino de toda a faculdade.
Cenografia igualmente simples: quarto, sofá, consultório, vestiário.
Pronto.
Já temos quatro gêneros cinematográficos.
A fotografia poderia ser ensinada numa única aula:
— professor, contra-luz funciona?
— depende do que você está tentando esconder.
Montagem também seria simplificada. Nada de Eisenstein, Kuleshov ou àquelas montagens dialéticas de Godard. Corte quando alguém cansar.
E o cinema pornô independente deveria ser ainda mais incentivado.
No exame final, por exemplo, os próprios alunos apresentariam seus filmes amadores pessoais.
Pode ser feito com o próprio celular.
Não por falta de recursos, mas por adequação estética ao mercado.
Aliás, pelo que consta, são justamente os vídeos amadores que costumam ter enorme público.
Basta fazer uma breve pesquisa de mercado.
Quer dizer, não que eu tenha feito.
Nem que eu entenda do assunto.
Estou falando exclusivamente do ponto de vista executivo.
Empreendedorismo.
Plano de negócios.
Análise de público-alvo.
Essas coisas que toda faculdade séria deveria ensinar.
No final, o aluno sairia preparado para duas coisas fundamentais no audiovisual brasileiro:
fazer cinema com orçamento baixíssimo
e fingir que foi uma escolha artística.