
Escrevi em diversos textos elogiando Enzo Celulari e Isabelle Drummond pela gestão de suas imagens e pela maneira como, através delas, conseguem se associar a grandes marcas — diferentemente de quem aceita patrocínio de bet ou cerveja, revelando todo o seu mau gosto, além de uma péssima gestão de carreira, como verdadeiros escravos do vil metal.
A prova está no Instagram.
Mas ficou ainda mais evidente agora que a Dior, grife francesa, escolheu ambos para protagonizar sua mais recente campanha.


Para provar o meu bom gosto, portanto, analisarei a campanha.
Acho que, considerando o cenário brasileiro, os nomes não poderiam ter sido mais bem escolhidos.
Enzo e Isabelle possuem justamente aquilo que uma marca como a Dior deveria procurar: uma imagem cuidadosamente construída, elegante e suficientemente distante da publicidade de qualquer coisa que apareça oferecendo dinheiro.
Até aqui, portanto, ponto para a Dior.
Mas fotografia por Maju Trindade?

Nada me parece mais cafona — e artisticamente decepcionante — do que recorrer à fotografia em preto e branco apenas para conferir uma falsa profundidade à imagem.
É uma solução que, neste caso, me parece preguiçosa. E, pior: artisticamente injustificada.
Porque, se boa parte da beleza da peça está justamente na cor, a Majur fotografa em preto e branco — e ninguém lá dentro barrou essa ideia?
O preto e branco pode ser belíssimo quando existe uma razão estética para ele. Quando não existe, corre o risco de virar apenas um atalho visual para dizer:
“Olha como esta fotografia é sofisticada.”
Não necessariamente é.
Decisão de gosto tão duvidoso quanto esse tênis, que até parece um Nike.

Talvez na Lua ou em Marte ele pareça útil e bonito, porque tem uma aparência quase de roupa de astronauta.
Na Terra, ainda não me convenceu.
E, além disso, a calça jeans.
Ainda mais clara.
Eu sei que é difícil, mas precisamos aprender a superar a calça jeans, gente.
Houve um momento em que o jeans representou juventude, ruptura, contracultura e transformação dos códigos do vestuário. Mas, em pleno século XXI, recorrer novamente à calça jeans como sinônimo automático de basic e casual já começa a me parecer menos uma escolha estética e mais uma espécie de preguiça artística.
Existem outros tecidos; outras calças.
Existem outras possibilidades.
CHEGA DE CALÇA JEANS!