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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

SEXUALIDADE E EROTISMO & ANIMES E CARTOONS

 




 

A DIFERENÇA QUE SABEMOS, MAS NÃO SABEMOS EXPLICAR

A diferença entre sexualidade e erotismo é mais ou menos como a diferença entre animes e cartoons.

 

Embora eu não goste nem de cartoons nem de animes — e, sobre sexualização e erotismo, prefira me abster de qualquer juízo moral —, a diferença entre erotismo e sexualização me parece bastante clara.

 

O problema é defini-la.

 

É mais ou menos como Santo Agostinho tentando explicar o tempo: se ninguém me pergunta o que é, eu sei; quando preciso explicar, já não sei.

 

Mas vou tentar.

 


 

QUANDO O DESEJO VIRA ESPETÁCULO

Talvez a sexualização seja o erotismo elevado à espetacularização.

 

Ou talvez o erotismo seja a sexualização transformada em arte.

 

Não recorramos à simplificação machista de imaginar que sexualização seria o erotismo visto pelo ótica do homem, enquanto erotismo seria a sexualidade vista pelo olhar da mulher.

 

Thank God — or evil —, convenhamos: algumas mulheres também sabem ser bastante sexuais.

 


 

O CORPO E A IMAGINAÇÃO

Talvez possamos dizer que o erotismo opera sobretudo na mente, enquanto a sexualização opera sobretudo no corpo.

 

Mas será que não existe erotismo que dispense completamente a sexualidade?

 

Dizia-se de Hitchcock que filmava os assassinatos de seus filmes com erotismo, quase como se fossem cenas de amor, enquanto filmava determinadas cenas amorosas com a tensão de um assassinato.

 

Talvez alguma operação semelhante aconteça entre sexualidade e erotismo.

 

Uma coisa pode carregar a linguagem da outra sem necessariamente se transformar nela.

 


 

O QUE SE MOSTRA E O QUE SE SUGERE

Talvez esteja aí uma diferença possível.

 

A sexualização quer mostrar.

 

O erotismo pode simplesmente sugerir.

 

Um corpo pode estar praticamente nu e não produzir erotismo algum. Um olhar, uma sombra, uma voz ou uma distância de poucos centímetros entre duas pessoas podem produzir muito mais.

 

Porque o erotismo talvez dependa justamente daquilo que falta.

 

Do intervalo entre aquilo que vemos e aquilo que imaginamos.

 


 

ANIMES, CARTOONS E O ESTRANHO DESTINO DO DESEJO DESENHADO

E é aí que retorno aos animes e cartoons.

 

Quando a sexualização abandona o corpo humano e passa para personagens desenhados, surge para mim um estranhamento ainda maior.

 

Existem, evidentemente, inúmeras formas de animação adulta, e hentai designa especificamente uma vertente pornográfica da animação e dos quadrinhos japoneses — não simplesmente qualquer erotização presente em anime.

 

Mas confesso que a sexualização explícita de personagens desenhados me parece particularmente pouco erótica.

 

Talvez porque, para mim, quanto mais desesperadamente uma imagem tenta representar o sexo, menos espaço sobra para aquilo que considero essencial ao erotismo: a imaginação.

 

E talvez seja essa a ironia.

 

O erotismo não precisa necessariamente mostrar o corpo.

 

Às vezes, precisa justamente saber onde escondê-lo. Mas, vejam bem, não estou falando sobre escondê-lo no sentindo Hitchcockiano.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 19/09/2026
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