
Princesa de Uibaí, aceite essas fotos como meu singelo e sincero pedido de desculpas:


Eu não sei se alguém já entrou no Recanto por minha causa.
O que sei é que, certamente, já saíram daqui — quero dizer, apagaram a conta — por causa de mim.
O que, para alguém que escreve, devo dizer, é motivo muito supérfluo para deixar de existir. Porque é mais ou menos isso que acontece quando se escreve e, de repente, não se escreve mais.
É o caso da, abre aspas, “Princesa de Uibaí”.
Recordando sua imagem — pois devo antes me aconselhar com meus advogados sobre a conveniência de admitir que tenho uma cópia de sua foto no celular e, por isso, prefiro mentir —, admito, sim, que tanto o epíteto de princesa quanto o complemento “de Uibaí” me parecem absolutamente merecidos.
E devo acreditar, olhando para a imagem — digo, recordando a imagem —, que ela faz justiça ao que ela própria escreveu certa vez: diziam que era a garota mais bonita de Uibaí.
Confesso minha ignorância geográfica: tive de pesquisar se realmente existe uma cidade chamada Uibaí.
Na verdade, desconfio mais da existência da cidade do que da possibilidade de ela ser, de fato, a garota mais bonita de lá.
Em outra ocasião, ela compartilhou um elogio recebido no Carnaval, quando usava sua fantasia — abre aspas, por recomendação dos advogados — de “Branca de Neve depravada”, com um vestido talvez curto demais, confeccionado por ela mesma.
Na ocasião, teriam-na chamado de “princesa da Disney”.
Elogio merecido, devo dizer, caso os boatos acerca da suposta fantasia sejam algum dia oficialmente confirmados.
Não vou ficar repetindo o motivo do nosso entrevero porque, para quem me conhece, é deveras conhecido o episódio envolvendo azeite e aquilo que, na minha cabeça, imaginei que fosse um elogio.
Se, de lá para cá, ela leu alguma coisa minha, provavelmente já percebeu que aquilo era tão sério quanto os meus textos de humor.
Mesmo assim, reitero meu pedido de desculpas.
E gostaria de pedir, encarecidamente, que ela reative sua conta.
E, se não for pedir demais, que me avise.
E, se isso também não for abusar de sua boa vontade, que me deixe um comentário.
Mas só aceitar as desculpas já está ótimo, porque não quero abusar de sua boa vontade.
Talvez só abrir este texto já esteja bom.
Nem precisa chegar até o final, aliás…
Talvez vocês digam que uma foto — ainda mais uma foto minha — seja um pedido de desculpas muito comezinho em comparação com a beleza de alguém que mereceu o apelido de princesa, ainda que princesa de uma pequena cidade.
Mas quero evocar a dimensão simbólica de eu estar “loiro”.
Isso só pode significar alguma coisa.
Afinal, ela tem aquele misto de cabelo enrolado e loiro que, como um enigma da Esfinge, não nos permite saber se é natural ou fruto de água oxigenada.
O que é certo é que meu cabelo é uma imitação barata da beleza dela.
Mais ou menos como aquelas imitações de ilustrações florentinas renascentistas que vemos sendo vendidas nas praias — se não nas praias de Uibaí, porque minha pesquisa geográfica talvez ainda precise melhorar, certamente em algum lugar da Bahia — ou em suas versões mais baratas no litoral de São Paulo.
Eu sou paulistano.
E, assim como nossa arte não arranha a do Nordeste, tampouco minha beleza — e talvez nem minha escrita — sequer arranha a dela.
Por isso, Princesa de Uibaí, aceite essas fotos como minhas sinceras desculpas.
Não porque ela esteja à altura da sua beleza.
Mas porque, infelizmente, era a beleza que eu tinha disponível para oferecer.