A história retratada pelo pintor homônimo meu, Jacques-Louis David, é deveras conhecida.
Charlotte — nome tão francês quanto charmoso —, sob o pretexto de revelar uma conspiração contra a República, escreveu uma carta pedindo para encontrar Marat.
A cena que trago é uma reimaginação nascida da minha própria imaginação, no melhor estilo pixel art.
Sua morte teve o efeito inverso ao pretendido: transformou Marat em mártir revolucionário e ajudou a intensificar o período do Terror.
Talvez Marat, que gostava de trabalhar na banheira por causa de uma doença de pele, esperasse, em vez de morrer, fazer amor ali. No máximo, talvez esperasse uma carta de amor, não um gesto de traição. Mas quem sabe não tivessem feito amor antes do gesto terminal de ambos, já que ela também acabou guilhotinada?
Morte tornada arte e história. Até seu cheiro putrefato tem alguma beleza. Eu prefiro imaginar que fizeram amor antes de morrer. Talvez ele tivesse morrido de orgasmo — a “pequena morte”, na expressão francesa —, entre bolhas de espuma, prazer e sangue, assim como Afrodite nasceu da espuma do mar. Mas talvez as Erínias, divindades da vingança, já aguardassem para cobrar o preço daquele encontro.