Isabelle, apesar de ser quase Isabela — que é um nome de verdade e não um símile da Shopee —, embora tenha seu charme francês, é conhecida por ser evangélica. Gosto de acompanhá-la, sobretudo no Instagram, claro, porque eu não tenho coragem de ver as novelas que ela faz — e talvez nem ela mesma, pelo bom gosto que revela —, mas temos que ganhar a vida como podemos, né?
Porém, eu gosto do modo pacato e low profile dela de ser, sem nenhum exagero ou exibicionismo. E, embora seja cristã, jamais tenta evangelizar o mundo. Pelo contrário: a estética dela, que trabalha com grandes marcas como Audi, Dior, Chanel e Natura, evidencia seu bom gosto.
Minha grande crítica ao evangélico é justamente o que não cabe a ela: a mania de ficar berrando o Evangelho para todo mundo e também a cafonice da roupa. Como se o ser evangélico já viesse acompanhado de um kit com a saia cafona e o paletó verde-musgo maior que o corpo.
E gosto, sobretudo, das fotos dela no café, sempre com sua Bíblia, ou no carro, sempre fotografando, com muito bom gosto, belíssimas passagens.

Por exemplo, eu mesmo nunca li a Bíblia de cabo a rabo — digo, do Gênesis ao Apocalipse —, porém é um dos livros que mais revisito e leio. Mas meu interesse não é, digamos, religioso ou mesmo espiritual; talvez, no máximo, espirituoso.
Gosto sobretudo do livro de Eclesiastes e das belas passagens de Cânticos. Não admiro propriamente a pregação, talvez nem mesmo a fé, embora eu não desacredite de nada e tampouco acredite em coisa alguma. Meu interesse é pela poesia da coisa: a escrita, a sabedoria, a linguagem, a estética.
Mais do que a salvação da alma, talvez eu procure uma salvação estética através da Bíblia, de bom gosto.
E é exatamente isso que Isabelle, olhos de borboleta, me entrega.
Se eu não fosse tão inferior a ela em todos os sentidos, eu poderia até me casar com ela.