Vão-se os anéis, mas ficam os dedos. Foi o que aconteceu comigo ao ter sido roubado. Apesar de ter permanecido com a vida, o vazio da perda é inevitável. Daí que, quando um celerado como Flávio promete cadeia e fim da impunidade para esse tipo de ladrão, ganhe tanta adesão.
Talvez eu tenha merecido por ter abusado da confiança e da sorte, mas, com certeza, os meliantes merecem menos que eu. Porém, tomei as devidas providências para que aquele celular jamais seja usado por ninguém.
No entanto, a dor de cabeça de perder um celular excelente, que me atendia em tudo, é enorme. E o fato de eu não tê-lo mais prejudica até a configuração deste atual, que é uma edição melhor e que ganhei mais por dó e pela proximidade do meu aniversário do que propriamente por merecimento.
Mas quem me conhece sabe — inclusive Deus, esteja ele existindo ou não — que, quando eu mereço, ninguém merece mais e faz melhor uso dele do que eu. Infelizmente, talvez o contrário também seja verdadeiro.
No mais, desejo toda sorte para mim e todo azar para os bandidos, mas não a morte. Embora a recuperação deles também seja improvável. Talvez sejam tão ruins de espírito e índole que a morte lhes seria um privilégio, e não cabe a nós sujarmos nossas mãos.
Pessoas como nós, que escrevemos, pensamos e, ao escrevermos e pensarmos, nos redimimos, não somos “parças” de bandidos. Que fique claro.
Amém, meus amigos e irmãos. Que este celular possa durar bem mais que o anterior — ou talvez menos, se eu o trocar por um ainda melhor e por um bom motivo.