AUGUSTO CURY É OPÇÃO AOS BOLSONAROS

Augusto Cury deveria ter os votos da família cristã, além dos das mulheres.
Diferentemente de Bolsonaro, ele está na via da democracia. É legítimo que alguém não goste de Lula, por haver motivos suficientes para isso em seu numerosos governos, mas não votar em Lula, que representa a democracia, para votar em Bolsonaro, ainda se dizendo cristão, é uma contradição, uma hipocrisia e uma imoralidade.
Aqui, o que eu chamo de Bolsonaros não é uma categoria individual, e sim coletiva. Uma série de indivíduos emergiu da ascensão do sujeito Bolsonaro, que passou a representá-los. Após esse fenômeno, curiosamente, toda a escória saiu da lata de lixo: o estudante que usa roupas nazistas, o negacionista de vacinas e do feminicídio, o juiz que mantinha trabalho escravo. Qualquer cristão veria nisso um vendilhão do templo ou um sinal do fim dos tempos. Curiosamente, porém, alguns que se dizem cristãos votam nesse sujeito que nega tudo aquilo que Cristo efetivamente pregou.
Qual é o amor ao próximo de alguém que prega a morte? Que defende a família tradicional, mas ele e seu filho traíram suas mulheres? E pastores políticos como Malafaia apoiam essa escória. Há ainda o discurso do ódio e a ascensão de figuras toscas como Pablo Marçal e Renan Santos, verdadeiros engenheiros do caos, como analisado no livro Os Engenheiros do Caos, de Da Empoli.
Espero que essa ascensão do escritor de autoajuda represente o esgotamento do discurso de ódio. Ele, que pede e aconselha calma às pessoas em seus livros. O Brasil está precisando de gentileza, calma e paz. Não de ódio e guerra.