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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

LITO SOUZA, CREUTZFELDT-JAKOB E A VACA LOUCA

 


 


 

Mario de Andrade já dizia que o maior perigo é o semi culto, e não o analfabeto e ignorante, pois estes podem mudar.

 

Mas o semi culto, como uma borrifação que se fixa sobre tudo o que toca, fica agarrado às suas convicções e preconceitos. E é o caso de quem usa a doença de Lito, uma desgraça, para reverberar suas teses nefastas de antivacina e negacionismo, como a inexistência de uma pandemia.

 


 

UMA DOENÇA COM NOME BONITO DEMAIS

A princípio, fiquei chocado com a doença de Lito e muito triste, porque, tão rapidamente quanto passei a saber da sua existência, ele irá desaparecer diante da inexorabilidade da doença. E como pode uma doença com um nome tão bonito, Creutzfeldt-Jakob, ser tão devastadora, não é?

 

A doença lembra a da vaca louca, ambas causadas por príons, proteínas anormais capazes de provocar alterações devastadoras no tecido cerebral — falando uma linguagem bem leiga, caso algum médico leia, ou melhor, médica (oi, meu amor). A doença da vaca louca atingia principalmente bovinos; a Creutzfeldt-Jakob, seres humanos. E, sem que Lito tenha comido carne contaminada, a doença o atacou.

 


 

A VACA LOUCA E A LIÇÃO QUE O NEGACIONISMO NÃO QUER APRENDER

E o modo como a doença da vaca louca foi praticamente erradicada diz muito sobre os negacionistas da pandemia. Realmente, não houve vacina. Mas houve controle rigoroso da exposição, identificação e separação dos animais infectados e medidas para impedir que a doença continuasse se espalhando entre os animais e chegasse aos seres humanos.

 

É justamente aí que a história da vaca louca encontra a da Covid-19. Não se trata de dizer que as duas doenças são iguais, evidentemente, mas de compreender um princípio elementar de saúde pública: quando uma doença infecciosa se espalha, reduzir a transmissão funciona. Medidas de distanciamento e restrição de circulação foram importantes para controlar a velocidade de propagação da Covid-19 em diversos lugares, inclusive na Itália e no Brasil. É difícil esquecer, nesse contexto, a fala irônica de Bolsonaro, simulando falta de ar e revelando, naquele gesto, algo muito mais grave que uma simples falta de sensibilidade.

 


 

QUANDO A VACINA FAZ O QUE A IDEOLOGIA NÃO CONSEGUE

Embora não tenha sido utilizada uma vacina contra a doença da vaca louca, vejamos o que aconteceu com outras doenças:

 

 

Não por acaso, justamente em países onde abundam os semincultos, os semiletrados e os negacionistas — Estados Unidos e Brasil entre eles —, uma doença praticamente considerada erradicada em determinados lugares, como o sarampo, ainda produz vítimas fatais em pleno 2026. E há gente que decide não vacinar os próprios filhos.

 


 

A LIBERDADE DO INDIVÍDUO E A VIDA DO OUTRO

Se a nossa liberdade termina quando começa a do outro, a vacinação precisa ser compreendida também como uma questão coletiva. Afinal, a escolha de não vacinar o próprio filho pode deixar de ser uma decisão exclusivamente privada quando coloca em risco a saúde e a vida de outras crianças que convivem com ele.

 

É por isso que, em determinadas circunstâncias, a vacinação obrigatória pode ser não uma violação da liberdade, mas justamente o limite necessário para preservar a liberdade e a vida alheias.

 

Ideologia não é motivo para ignorância.

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 31/08/2026
Alterado em 31/08/2026
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