Diz-se, em Jules et Jim, de Truffaut, que a amizade entre os dois não encontra equivalente no amor — eles apreciavam pequenas coisas juntos. Todos os chamavam de Sancho Pança e Dom Quixote, assim como Estragon e Vladimir, Nilse e Leon, e tu e eu…
Estragon e Vladimir, vocês sabem, assim como eu espero uma resposta dela, esperam Godot, que jamais chega. E o que representa Godot para esses dois desesperançados? Talvez um Deus, algum salvador, a segunda vinda de um Cristo — qualquer coisa que finalmente venha dar sentido à espera —, mas encontram apenas o silêncio. No máximo, chegam Pozzo e seu servo, quase escravo, Lucky, a quem ele amarra numa corda como a um cão, obrigando-o a dançar e, no cúmulo da humilhação, a pensar.
E talvez seja justamente aí que esteja a graça — ou a tragédia — de Esperando Godot: enquanto eles esperam por alguém que nunca chega, nós esperamos por uma resposta que talvez nunca venha. A diferença é que Vladimir e Estragon, ao menos, têm a companhia um do outro. Eu tenho apenas a tua ausência — e a esperança, um tanto ridícula, de que ela seja temporária.