Você pega alguns monólogos de Samuel Beckett, como Molloy e Malone Morre, nos quais se expressam pensamentos quase sem vírgulas. Solilóquios não suportam vírgulas. Terminar uma frase brevemente é um respeito ao leitor.

Em Ulisses, vai além, como no monólogo final de Molly, mulher de Leopold Bloom, que expressa seu sentimento sem usar sequer qualquer forma de pontuação, na técnica chamada fluxo de consciência, consagrada por Joyce e Virginia Woolf em Mrs. Dalloway.
É notável, em quem não domina muito a linguagem, a predileção por usar muitas vírgulas, até onde não há: que separem verbos de sujeito, sujeitos de complemento, complementos de advérbios, como se fossem asmáticos ou, quem sabe, simplesmente com mais boa vontade, herdeiros da cultura dos livros lidos em voz alta, que preconizava que vírgula era igual a pausa e ponto final, uma pausa ainda maior.
Veja estes exemplos de redes sociais:

Se eu fosse transformar meu comentário em vírgula maníaco, seria assim:
A internet tem uma minoria, bastante ruidosa, a maioria dá dinheiro pra essas empresas, comprando produtos digitais.
Vão por mim, encerrar um período por ponto final nunca enganou ninguém.