Bom, eu sempre desconfiei que era realmente dotado de uma cabeça extraordinária. Mas há um problema em confiar demais na própria percepção: quando somos nós mesmos que nos avaliamos, o resultado tende a ter pouca credibilidade. O autoelogio, afinal, é a forma menos convincente de elogio.
A coisa muda de figura quando o reconhecimento vem de fora. E quanto maior a distância social entre você e quem o elogia, maior parece ser o valor da confirmação — afinal, é mais difícil supor que exista qualquer interesse em agradá-lo.
Foi assim que, um dia, tive certeza. Primeiro, uma exclamação. Depois, um gemido de perplexidade. Em seguida, elogios de admiração pelo meu desempenho.
Isso se repetiu algumas vezes.
Foi quando percebi que talvez eu não estivesse apenas superestimando minhas capacidades. Havia, aparentemente, uma evidência empírica bastante consistente de que eu era, de fato, mais que bem dotado, era superdotado.