
Eu recebi o seguinte comentário do Georges a respeito do meu último texto sobre as mulheres:

A não ser que o tal Georges esteja homenageando George Sand, a quem Nietzsche reclamava por ser uma mulher muito masculina, achei o comentário de muito mau tom, por não ter nada a ver com o texto. Há tanta coisa para se comentar, e é digno de recalque comentar justamente um suposto erro de português. É mais uma idiossincrasia, como irei demonstrar.
Eu visitei o perfil dele (ou dela), e ele é português. Apesar de a língua ser deles, devemos nos questionar qual a legitimidade de um povo que chama pão de cacete, não é mesmo?
E não sei exatamente por que me incomodei, já que a maioria dos meus textos eu escrevo no bloco de notas do celular, sem me preocupar muito com pontuação, gramática e ortografia, como se estivesse falando com um amigo no WhatsApp, para ganhar tempo.
Eu me permito isso justamente porque conheço gramática e português suficientemente bem para não me importar e me dar essa prerrogativa. Não que, se eu mesmo fosse escrever, corrigir e revisar, fizesse um trabalho melhor que o GPT.
Uma das coisas que é difícil superar nele é a revisão, tanto de pontuação, organização textual, gramática etc. O que ele faz mal é a criatividade: escolher palavras adequadas, substantivos e, às vezes, precarizar o texto. Por isso, eu jamais permito que ele escreva ou pense por mim.
No final, a ferramenta só extrai aquilo que eu realmente já sei. Mas vamos à análise do tal de Sand.
O mais pedante de tudo foi o NUNCA. Se não fosse isso, talvez eu não me desse ao luxo de escrever este texto. Incomodou-me sobretudo porque está errado.
Ele fala que o correto é "a maioria", porque o núcleo, que é a palavra que vem antes da preposição de, deve concordar com o numeral, que é maioria, e é um substantivo singular.
No entanto, a gramática permite o uso do plural justamente porque uma maioria traz sempre a ideia de mais de uma pessoa. E, convenhamos, num texto que fala de bom gosto e beleza, a linguagem também deve ser a beleza da escrita e da oralidade, e "a maioria são" soa muito mais harmônico. É o que chamamos de concordância ideológica e atrativa.
Daqui a pouco, os reacionários da língua vão defender o uso de "vosmecê" em vez de "você". A linguagem é dinâmica.
A mim me parece que há reacionários gramaticais que tentariam abolir até a beleza de "a mim me parece" por ser redundante.