DOMINO A ARTE DE SER MULHER

Vestir-se é uma arte feminina por excelência. Aquelas que não sabem se vestir são alguma coisa muito parecida com mulheres, mas mulheres propriamente não são. O dandismo é a arte andrógina, do homem que sabe se vestir, com uma simplicidade elegante, atento ao detalhe sofisticado. Engana-se quem pensa que o dandismo seja a arte da superficialidade: trata-se de transformar a superficialidade em arte, fazendo com que tudo o que se tem e possui seja reflexo de um espírito elevado e de bom gosto.
O que desconcerta em mim é eu dominar a arte das mulheres melhor do que elas. A androginia, em tempos patriarcais, é mais sedutora do que nunca.
Mas não adiro ao discurso tacanho contra as mulheres, já que sou totalmente a favor delas. Meu combate se dá unindo-me a elas naquilo que têm de melhor: o bom gosto.
Não à toa, a maioria dos leitores no Brasil são mulheres, mulheres da classe C. A arte, a poesia e a espiritualidade são femininas. E aqui também eu sou um homem feminino, sensível à minha maneira, como uma orquídea; não obstante, viril, também à minha maneira, ternamente delicado.
Decerto, todas as minhas boas características são herança dos aspectos femininos da minha personalidade. E todas as negativas são decorrência do masculino.