MUITO MAIS PAULISTANO QUE BRASILEIRO!

Goste ou não dos candidatos favoritos ao governo de São Paulo, eu mesmo tenho muitas divergências com Tarcísio, que é um Bolsonaro com banho de loja e perfumado, mas que não toma banho igualmente. Fascista e “facista”, isto é, que propõem resoluções fáceis para problemas complexos. Se não fosse, ele não teria criado as escolas cívico-militares, como bom reacionário.
Portanto, o debate que houve na Bandeirantes pode ter sido um prelúdio ao primeiro debate para a Presidência de 2030, mas, para isso, é condição sine qua non a vitória de Lula nas próximas eleições. Caso contrário, nem eleições nem democracia poderemos ter mais.
Haddad tinha que ganhar de goleada no debate para ter chances, e Tarcísio não ser goleado, e foi o que conseguiu. Ele perdeu claramente, mas sem ser goleado.
O que chamou mais atenção é que não houve baixarias, apesar de algumas cotoveladas, o que faz parte, e muitas ideias foram debatidas. A discussão ficou no campo das ideias, como deveria ser em todo debate. Foi justo, com Tarcísio abrindo mão da erudição de vestibulando de ficar repetindo nomes e coisas que ele decorou, como um monte de cidades e nomes de pessoas, sem nem se dar conta realmente do que estava fazendo, estratégia muito utilizada por Maluf.
Meu irmão fala uma coisa que é certa: antigamente, a gente tinha que se preocupar com Maluf; atualmente, as coisas pioraram tanto que há a família Bolsonaro, Milei, Trump, Nicolas Ferreira e mais um monte de caterva.
Porém, a qualidade do debate em São Paulo demonstra por que os políticos da Presidência e de repercussão nacional só dão certo se fizeram parte do governo de São Paulo.
Por isso, eu sou muito mais paulistano do que brasileiro, muito mais orgulhoso de ser paulistano do que brasileiro. Eu não me identifico nem um pouco com o tipo de patriotismo entreguista de alguns supostos nacionalistas, ao passo que não consigo conceber a mim mesmo se não tivesse nascido em São Paulo. Eu seria outro, com as coisas boas e negativas que isso significa.