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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

DEUS É A MAIOR OBJEÇÃO DE DEUS

 



 

O Deus que o homem inventou não tem nada a ver com o Deus de Espinosa.

 

Para Espinosa, Deus é a Natureza, é tudo o que existe, é perfeito, fora do tempo, um ser desapaixonado. Já a ideia que o homem faz de Deus, antropomórfica, um cara de cabelo branco e grisalho sentado em um trono, é uma ideia inadequada. Veja bem: inadequada, e não falsa. Porque toda ideia é verdadeira, por mais falsa que seja; Espinosa chamava esse tipo de ideia de inadequada.

 

A ideia de Deus humanizado é o que Espinosa chamava de preconceito de Deus: a crença em um Deus que existe para servi-lo, para pedir as coisas, um Deus passível de ser agradado ou desagradado, como se fosse uma espécie superior de homem. Ora, se Deus é perfeito, Ele não está submetido a esse tipo de veleidade humana, de querer ser bajulado e, em troca, conceder benesses. O ser humano acredita que não é poeira no cosmo, e sim que o cosmo foi criado para ele. Ora, na medida em que falta alguma coisa a Deus, a partir do momento em que Ele é afetado pelo homem, torna-se apaixonado e imperfeito.

 


 

AS PAIXÕES E A POTÊNCIA

Paixões são os afetos do mundo para Espinosa. Alegria, por exemplo, é o sentimento de quando nossa energia vital se expande por uma boa afecção do nosso corpo com o mundo. Tristeza é o seu contrário. Mas o preconceito do homem é chamar as coisas de boas e ruins, quando nada é bom ou ruim por si mesmo.

 

O professor Clóvis dá o exemplo da pamonha. Na pamonha inédita, a primeira, ela me alegra ao aumentar a minha potência, mas, se eu comer dez pamonhas seguidas, a mesma pamonha, inicialmente alegradora e boa, me entristecerá. Portanto, como pode a mesma pamonha ser boa e ruim ao mesmo tempo? Isso prova que bom e mau são sempre uma relação situacional de um objeto com o nosso corpo.

 


 

O AMOR COMO AFETO

Espinosa chamava de amor quando algo nos alegra e sabemos identificar a causa do que nos alegrou.

 

Espinosa foi excomungado por sua visão de Deus imanente, que contrariava os dogmas cristãos. O Deus de Espinosa não acreditava que o homem foi criado, aquele monte de gente pelada, e a vulgaridade intelectual de que todos são descendentes de Adão e Noé.

 


 

OS LIMITES DO MUNDO HUMANO

E, curiosamente, os limites que são conhecidos pela Bíblia eram os limites dos próprios homens, nos quais só existiam África, Ásia e Europa. Nem uma palavra sobre a América, claro, porque ela só foi descoberta 1.500 anos depois de Cristo e da Bíblia. Não esperemos que os profetas conseguissem enxergar tão longe assim.

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 08/08/2026
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