ENCERRANDO UMA HISTÓRIA DE AMOR QUE NUNCA COMEÇOU

A Flora, minha amiga, me disse uma vez: "Queira amar quem te ame." Ou mais ou menos assim. E mais de uma vez. É por isso que, mesmo jovem, ela é tão inteligente. Jovem e bela, como no filme de François Ozon, mas, diferentemente do filme de Ozon, porque ela é morena e decente.
Ela percebia o que eu não queria perceber. Igual a Dom Quixote, mas, diferentemente dele, eu não percebi isso no final da minha vida, e sim no auge dela.
Olhando agora, ela não é nem mais bela, nem mais magra, nem mais inteligente ou interessante do que eu atualmente. Na verdade, as boas características que eu via nela eram muito mais um reflexo de mim mesmo. (Acho que a Flora falou sobre isso também.)
Essa coisa de low profile é uma mentira que a pessoa conta para si mesma. Ora, só é low profile quem não tem nada para exibir ou mostrar.
As nossas ações nunca são inocentes, como diz Sartre. Quando escolhemos, existimos. E, ao existirmos, mostramos, pelas nossas escolhas, que mundo queremos.
À medida que uma pessoa segue mais de mil perfis no Instagram, seja lá quem for, e eventualmente prefira entrar no aplicativo a me ler, isso mostra exatamente o mundo que ela quer que exista e que se reflete nas suas escolhas de vida.
Já a minha termina com este texto: Encerrando uma História de Amor que Jamais Começou. E, com ele, coloco um ponto final tanto naquilo que nunca existiu quanto nas palavras que insisti em escrever sobre isso.
Prometo, pela minha própria força de vontade, que, daqui em diante, falarei de tudo no meu site, menos dela.
A não ser para desejar apenas uma coisa:
Que ela esteja bem. Que leia este texto. E que seja feliz.