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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

NÃO GOSTO DE LER, MAS LEIO

 


 


 

LER NÃO SIGNIFICA A MESMA COISA

Uma pessoa dizer que gosta de ler não significa absolutamente nada. O que isso quer dizer? Gostar de ler o quê? A leitura pode ser completamente diferente de acordo com aquilo que se lê. Ler um romance de ficção não é nada parecido com ler filosofia, que, por sua vez, é completamente diferente de estudar um livro didático de álgebra ou matemática. Ou, no caso mais imbecil, a pessoa pode gostar de ler legendas de animes ou de novelas coreanas. Agora, o que é unânime é que mais idiota ainda é quem assiste a anime e novela coreana dublados. Ou a pessoa pode gostar de ler os diálogos dos videogames. Isso é gostar de ler? Não sei...

 


 

O PRAZER E O ESFORÇO

Eu, por exemplo, quando leio O Guia do Mochileiro das Galáxias, tenho a impressão de estar jogando videogame. O tempo passa tão rápido que mal percebo. É uma leitura divertida, fácil e agradável. Ao mesmo tempo, estou lendo determinados textos de Sapolsky e A Estetização do Mundo. Embora ambos tenham uma escrita agradável, tratam-se de três experiências completamente diferentes.

 


 

O CÉREBRO NÃO FORTALECE SÓ COM PRAZER

Em Sapolsky, por exemplo, aparece a descoberta da neuroplasticidade, cuja ideia central é muito simples: neurônios que disparam juntos fortalecem suas conexões. Em outras palavras, quanto melhor você faz alguma coisa, melhor você fica nela neurobiologicamente. Já a neurogênese sustenta que o aprendizado e a prática constantes são capazes de produzir até novos neurônios.

 

Mas, para isso, é preciso resistência, dificuldade, desafio. É preciso ler algo complexo, diante do qual eu paro, reflito, faço anotações e perguntas para mim mesmo, para a inteligência artificial ou para o Google. Se eu lesse apenas aquilo de que gosto, dificilmente haveria esse fortalecimento do cérebro.

 

Até hoje, o que possui maior evidência científica de favorecer a neurogênese é a combinação entre atividade física — principalmente corrida ou caminhada acelerada — e aprendizado robusto. Basta lembrar do clássico estudo com os taxistas de Londres. Como precisavam decorar milhares de ruas, já que durante muitos anos não podiam recorrer ao GPS, verificou-se um aumento do hipocampo, região cerebral relacionada à memória. Um aumento físico, de volume, e não apenas de conexões sinápticas.

 

É para aprender coisas assim que eu leio, mesmo não gostando.

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 05/08/2026
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