O IDIOTA QUE LIA NIETZSCHE

Vi, certa vez, um comentário no YouTube, em um vídeo sobre Nietzsche, de um sujeito dizendo que ele precisava assistir a uma determinada turnê do Iron Maiden, porque certamente iria gostar.
Ora, Nietzsche, que criticava até a música de Wagner — ele próprio compositor —, iria gostar de heavy metal e, ainda mais, de Iron Maiden? Chega a ser cômico. É simbólico da banalização atual pela qual passou Nietzsche. E, se o comentário não viesse de um fã de Iron Maiden, causaria ainda mais perplexidade.
Não menos perplexa foi uma comentarista e professora da FFLCH, Viviane Mosé, ao dizer que sentia atração sexual por Nietzsche. Ou ela deve ter fetiche em homens bigodudos, ou talvez isso revele a carência do mercado afetivo entre os professores de filosofia.
Ora, se o padrão de beleza é Luís Felipe Pondé, seu dente excessivamente amarelo e seu cachimbo, não é de se estranhar que uma professora de filosofia vá buscar, em um autor póstumo, sua predileção sexual.
Há intérpretes de Nietzsche para os mais variados absurdos, chegando até a aproximá-lo do comunismo, ele que foi um dos maiores combatentes do niilismo ideológico.
Agora, o que se pode afirmar é que ele era um grande admirador de Dostoiévski, a quem chamou de o primeiro psicólogo, antes mesmo de existir a psicologia como campo de estudo.
Isso quer dizer que antes não existiam doenças da mente? Que, diferentemente de hoje, não havia adultos ineptos buscando um diagnóstico de autismo ou TDAH para justificar seus fracassos? Ou ainda aqueles que escrevem uma redação repleta de erros sintáticos e, por isso, já acreditam possuir superdotação?
Não. Significa apenas que aquilo que chamamos de saberes também é uma invenção humana, que organiza, classifica e nomeia fenômenos que já existiam.
E, com certeza, Nietzsche concordaria que há muitos idiotas que o leem atualmente. Talvez sejam, inclusive, em número muito maior do que os idiotas que nunca o leram.