As pessoas, na academia, preferem fazer musculação a cardio.
Não é difícil entender por quê. O cardio costuma ser monótono, exige esforço contínuo e quase sempre é associado a uma punição: “preciso emagrecer”, “preciso queimar calorias”. Já a musculação oferece recompensas imediatas: você aumenta a carga, sente o pump, percebe a evolução e vai embora com a sensação de que fez alguma coisa.
Eu falei recentemente da idiotice de quem só corre. Mais idiota ainda, porém, é quem só quer ficar forte por motivos “estéticos”, recorrendo a anabolizantes que acabam com a saúde e, ironicamente, também com a própria estética.
Porque, se você já é feio e cresce, apenas hipertrofia a sua feiura.
Tomemos como exemplo Enzo Celulari. Ele ficaria mais bonito se tivesse o físico exagerado que tantos marombeiros almejam? Eu acho que não. Há pessoas cuja beleza está justamente na leveza, na elegância e na proporção. Nem toda beleza pede músculos.

Aliás, basta observar as marcas às quais Enzo se vincula. No caso feminino, pense em Isabelle Drummond. Ou, para pegarmos alguém realmente fitness, Zé Roberto?

E o que ele está fazendo?
Agora compare esse tipo de beleza com a de alguém cujo objetivo é parecer um fisiculturista. São linguagens estéticas completamente diferentes.
Isso significa que musculação não serve para estética? Pelo contrário. Serve, e muito. Assim como o cardio serve para melhorar o VO₂ máximo, a saúde cardiovascular e a longevidade. O problema começa quando a busca deixa de ser por uma estética saudável e passa a ser pela caricatura.
Antes de treinar, talvez seja bom responder a uma pergunta simples:
Você quer ficar bonito para uma passarela de moda ou para um palco de circo?