Acho que é unânime que quem olha para essa malha do técnico Abel a considera bonita. Portanto, se todos a reconhecem como bela, será que a beleza é tão subjetiva assim? Pode não ser para você, pode não ser do seu gosto, mas isso é diferente de dizer que ela não é bela.
No Fédon, o sofista afirma que o belo é uma donzela ou um belo cavalo, porque todos sabemos identificar a beleza nesses seres.
Gilles Lipovetsky, em A Estetização do Mundo, descreve as fases da relação entre estética e capitalismo. Parte de uma fase primitiva, na qual praticamente não havia uma preocupação estética, mas sobretudo ritual; passa pelo Renascimento e pelo Barroco, quando o belo era privilégio dos reis, únicos capazes de financiá-lo; chega à modernidade, em que a arte deixa de ser patrimônio da corte e passa ao burguês, que cria instituições de consagração, como museus e galerias; e desemboca na fase atual, em que beleza e capital estão umbilicalmente ligados. O belo passa a servir ao mercado como instrumento para vender mais.
É exatamente isso que a Puma está fazendo com a malha do Abel: democratizando a beleza. Embora, neste caso, essa democratização provavelmente custe mais de mil reais.