UMA GORDA DO "BODY POSITIVE" AGORA QUER SER MAGRA

Uma tal de Alessandra, de um canal chamado Alessandrismo — que eu nunca tinha ouvido falar, claro, porque tenho bom gosto (e estou magro) —, é voltada ao movimento militante e negacionista do body positive. Esse movimento debate, de forma anticientífica, que o excesso de gordura não faz mal à saúde desde que amemos o próprio corpo, mesmo convivendo com doenças crônicas. Pregam que a sociedade tem que nos amar como somos e que devemos combater os mecanismos patriarcais que impõem a "mulher gostosa" como socialmente desejável, em vez da Vênus de Willendorf, utilizada por eles como prova de que os seres humanos são socialmente condicionados.
Essa Alessandra em questão fez acusações contra o McDonald's enquanto comia seus nuggets e, alegando gordofobia, disse que doravante só comeria no Burger King. Também afirmou que, se uma pessoa não cabe em um assento duplo reservado para ela, é a sociedade que deveria se adaptar; enquanto isso não ocorresse, tratar-se-ia de discriminação.
Pois bem: essa mesma Alessandra disse que sempre quis emagrecer. Confessou que ganhou muito dinheiro surfando nessa onda do body positive, mas que agora, com as canetas emagrecedoras, rendeu-se ao modelo do mercado patriarcal e quer ser magra. Claro. Afinal, já faturou bastante com o discurso do corpo livre. Agora que a fonte secou, pretende ganhar dinheiro do outro lado.
Veja bem: acho válido o discurso de que a pessoa deve aprender a gostar do próprio corpo. Mas isso não lhe dá o direito de negar que a obesidade causa doenças crônicas, tampouco de pressionar a sociedade a aceitar esse padrão como se fosse indiferente à saúde.
De modo análogo e oposto, Nietzsche criticava a masculinização da mulher. Vemos isso claramente nas academias, onde muitas vezes os personal trainers projetam sobre o corpo feminino um padrão hipertrofiado de beleza, masculinizando-o e retirando parte de sua feminilidade. Porém, como a nossa era é a do capitalismo estético, os slogans das próprias academias e seus cartazes continuam exibindo homens dentro do padrão contemporâneo de beleza, com simetria corporal, e não exceções de massa amorfa ou mulheres no estilo "Popeye".
Precisamos perguntar até que ponto o discurso da aceitação do corpo não esconde apenas resignação, falta de brio e covardia para mudar, resumidas no simplório "sou gordo, mas sou feliz".
A resposta talvez seja igualmente simples: "Sim, mas é gordo..."
E, com isso, vêm todos os estigmas sociais e as dificuldades de saúde que essa condição pode significar.