MINHAS RELAÇÕES COM MEUS AMIGOS EXPLICAM O AMOR

Eu sempre fui uma pessoa de melhores amigos.
Ou melhor: meu melhor amigo de todos os tempos... naquela semana.
E eles sempre foram muito diferentes de mim. Não foi exatamente uma escolha, mas uma organização do acaso, do destino; uma disposição geográfica dos corpos que tinham de se relacionar naquele momento.
Talvez pela minha personalidade pacata, flexível e de fácil adaptação, acabei sendo amigo dos mais variados tipos de pessoas. E melhor amigo.
Mesmo quando diferíamos em gostos e personalidade, eu sempre encontrava alguma coisa em comum para justificar aquela amizade. Nem que fosse justamente a nossa diferença.
Então vejam: não há escolha.
Não há decisão.
Talvez a única decisão seja continuar cultivando aquela relação depois que a necessidade do ambiente — o trabalho, a escola, a faculdade — desaparece.
No meu caso, raramente elas sobrevivem.
E talvez aconteça o mesmo com o amor, os namoros e os casamentos.
Não existe uma escolha puramente racional. Existe uma disposição geográfica dos corpos. Apaixonamo-nos por pessoas do mesmo ciclo social: colegas de trabalho, de escola, amigos de amigos ou pessoas da família ampliada. Aqueles que vemos repetidamente. Às vezes, até por falta de opção.
Escolhe-se, muitas vezes, a pessoa mais conveniente. Ou talvez a única que teve coragem de querer alguma coisa com você.
Aliás, talvez isso tenha menos a ver com amor do que com influência social.
A única escolha verdadeira talvez seja terminar.
Quem sabe para, um dia, encontrar alguém realmente especial.
Como eu.