FUTEBOL: A ÚNICA RELIGIÃO QUE NÃO TEM ATEU!

Quem disse isso foi o uruguaio Eduardo Galeano, que, felizmente, não viu a seleção do louco Bielsa este ano.
Aliás, poucas coisas são mais deploráveis do que treinadores como Bielsa: os poetas do futebol, mas sem nenhum título. Pior ainda: pretendem jogar um futebol lúdico, quase romântico, porém sem competitividade, valendo-se de conceitos antigos, como marcação individual e grandes perseguições pelo campo. Transformam o futebol em um xadrez de alta intensidade e exigem que os jogadores sejam máquinas. Se algo dá errado, como costuma acontecer em Copas do Mundo, o resultado é uma catástrofe. Esse modelo exige concentração absoluta na tarefa defensiva e, quando chega a hora de atacar, já não sobra perna. É o paleolítico.
Felizmente, no Brasil, eu torço para o Palmeiras, que, embora não pratique um futebol agradável de assistir — e tampouco aquele em que eu mais acredito —, ao menos é competitivo.
Voltemos, porém, ao futebol virtual, ao FIFA ou ao FC. Vocês vão dizer que eu sou um chorão, mas, quando, em um jogo de futebol, as pessoas abrem mão da posse de bola, abusam de recursos especiais e de mecânicas claramente exploráveis, tudo em nome da vitória, isso mostra como a lógica do capital se estabeleceu até no entretenimento.
Vejam as estatísticas. Até quem não é perito consegue perceber o que aconteceu na partida.




Gostaria de chamar atenção, sobretudo, para o número de passes trocados, o tempo de recuperação da bola e a posse de bola, que dão um panorama, até para um neófito no futebol, do que aconteceu no jogo. Além, é claro, da taxa de precisão nos passes. Porque uma coisa é acertar mais de 90% dos passes tocando na bola menos de 100 vezes. Outra, muito diferente, é manter mais de 95% de precisão trocando mais de 300 passes. Esse dado, somado ao mapa de calor, demonstra uma superioridade que não se reflete no placar não por uma limitação técnica ou tática, mas pelas deficiências dos mecanismos apelões do jogo.
É muito mais difícil propor o jogo do que jogar reativamente, defendendo e contra-atacando. Um exige entendimento do jogo e capacidade de abstração; o outro, apenas reação a uma situação objetiva. Jogar bem é um problema filosófico.
Aliás, desta vez eu escolhi partidas que eu venci, para ninguém dizer que eu só posto jogos quando perco. No Mais, fora Ancelotti e:
