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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 


 

OS MAGRO MOUNJARO

 


 


 

UMA NOVA ESTÉTICA DA MAGREZA

Os magro mounjaro não são um bando de magros chamados Mounjaro. Antes fosse.

 

Existe um tipo de magreza que, de tão recorrente, tornou-se imediatamente reconhecível. Basta bater o olho. É o chamado "magro do Mounjaro": consequência estética de um medicamento que produz um emagrecimento rápido, mas frequentemente acompanhado de flacidez, perda muscular e um aspecto corporal muito particular. Assim como existe o "magro de ruim" ou o "magro crackudo", cuja aparência imediatamente remete à sua origem, agora surge mais um arquétipo visual do nosso tempo.

 

A magreza medicamentosa entrou de tal forma na moda que até figuras conhecidas pelo sobrepeso parecem ter aderido ao fenômeno. Gregório Duvivier, cuja aparência lembrava a de um urso urbano, apareceu bem mais magro. Fábio Porchat que poderia ser Fábio Porchete surgiu com o rosto mais fino. Daqui a pouco até intelectuais de peso — literalmente —, como Mário Sérgio Cortella, estarão irreconhecíveis. Depois da clássica paródia "Gordela", do Hermes e Renato, talvez ele precise trocar seu slogan de "É tempo de conhecimento" por "É tempo de emagrecimento".

 


 

O MERCADO DESCOBRE O NOVO MAGRO

Assisti recentemente a uma excelente reportagem de Marcello Bacarim —  esse, sim, magro de ruim legítimo, a quem eu me referia como aquele cara que parece aquele outro careca que fazia os antigos comerciais da Bom Brill — antigo repórter do Pequenas Empresas & Grandes Negócios, atualmente um dos canais do YouTube que mais gosto de acompanhar.

 


A matéria mostrava como o Mounjaro já começa a alterar o próprio mercado.

 

Restaurantes e supermercados perceberam redução no consumo e passaram a adaptar seus modelos de negócio. Um restaurante criou até o chamado "rodízio Mounjaro": quem apresenta a receita médica paga menos. Eis uma curiosa solução de saúde pública produzida pela iniciativa privada. O objetivo não é melhorar a saúde do cliente, mas preservar o lucro do estabelecimento. O desconto oferecido é menor do que a queda no consumo provocada pela perda de apetite. Todos continuam ganhando.

 

Outro setor que floresceu foi o da cirurgia estética. Remover o excesso de pele pode custar entre vinte e cinquenta mil reais. Afinal, emagrecer sem nutrição adequada, sem musculação e sem manutenção da massa muscular costuma deixar um corpo mais próximo da deterioração do que da boa forma. O resultado estético dificilmente poderia ser diferente.

 


 

EMAGRECER NÃO É A MESMA COISA QUE CONSTRUIR UM CORPO

Hoje, curiosamente, eu mesmo poderia ser confundido com um "magro de ruim".
 

Mas meu emagrecimento ocorreu pelo caminho oposto. Descobri que emagrecer é quase uma equação matemática: consumir menos calorias do que se gasta. Para isso, monitoro praticamente tudo o que como e acompanho diariamente meu gasto energético, que chega perto de mil calorias apenas com atividade física.

Isso é muito diferente do falso magro produzido pelo medicamento, que força a perda do apetite, mas continua procurando a mesma recompensa através da experiência gastronômica. Não por acaso, o restaurante mostrado na reportagem cobra cerca de quatrocentos reais pelo rodízio. Come-se menos, mas continua-se pagando pela experiência.

 


 

A NOVA HIERARQUIA DA ESTÉTICA

Somando as picadas às futuras cirurgias plásticas, percebe-se que a estética tornou-se, cada vez mais, um marcador econômico.

 

No futuro, talvez possamos identificar a classe social de alguém apenas pelo tipo de corpo que possui. Ser gordo tende a tornar-se coisa de pobre. Ser um magro flácido, produto do Mounjaro, talvez caracterize parte da classe média. Já construir um corpo verdadeiramente atlético, alimentado, treinado e sustentado ao longo dos anos continuará sendo privilégio de uma pequena elite — não apenas financeira, mas também de disciplina.

 

 

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 19/07/2026
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