DETESTO FREUD E A PSICANÁLISE

Quer dizer, detesto mais propriamente o Freud psicanalista, praticamente o inventor da modalidade, e a psicanálise em geral.
Podemos dizer que há outro Freud, quase um sociólogo, à maneira de Reich, que escreveu Psicologia das Massas e Análise do Eu. É esse Freud que aparece em O Futuro de uma Ilusão, no qual analisa a origem do sentimento religioso, ou em O Mal-Estar na Civilização, defendendo que a civilização só é possível porque reprime parte dos impulsos humanos, mas que essa mesma repressão produz sofrimento psíquico.
O livro mais intrigante, porém, é Moisés e o Monoteísmo, no qual interpreta o mito de Moisés como um dos fundamentos das religiões monoteístas e sustenta, por meio de uma análise quase filológica, que Moisés teria sido egípcio.
A psicanálise, contudo, me parece uma psicologia idealista que parte de pressupostos materiais, mas cujos principais conceitos, para mim, guardam pouco ou nenhum paralelo com a realidade, apesar do verniz científico que frequentemente lhes é atribuído.
Diferentemente da psicologia, pela qual eu também tinha certo preconceito, justamente por considerá-la excessivamente idealista e, sobretudo, pelo baixo nível de formação de muitos profissionais.
Com o tempo, porém, compreendi que determinadas abordagens psicológicas produzem transformações físicas e materiais no próprio cérebro. Terapias comportamentais, por exemplo, por meio da neuroplasticidade e da modificação de hábitos, conseguem alterar concretamente o funcionamento do organismo humano.
Justamente por nunca embarcar na conversa da psicanálise, jamais li Lacan ou Jung.
É por isso que, em mais de 2.800 textos publicados em meu site, nunca escrevi uma palavra sobre eles.
De fato, não entendo praticamente nada de suas teorias, desconheço seus conceitos centrais e sequer possuo grande curiosidade em estudá-los.
Mas gostaria de dizer mais uma palavra sobre a psicologia.
Se viver é administrar recursos limitados — e, no meu caso, bastante escassos —, considerando o nível médio dos profissionais de psicologia e que os realmente bons costumam cobrar mais caro, suponhamos uma média de R$ 300 por sessão.
Ora, para mim, investir esse mesmo dinheiro nos streamings que assino, no meu lazer, na mensalidade do Palmeiras, na dieta, na academia, em livros e até no ChatGPT, que diariamente esclarece minhas dúvidas, alimenta minha curiosidade e aumenta minha produtividade, não contribuiria muito mais para minha saúde mental do que uma sessão com um psicólogo desqualificado ou mediano?
Como dizia Leminski a respeito dos psicólogos, se estou doente procuro um médico. O mesmo vale para os médicos da mente, desde que exista um problema que eu realmente não consiga resolver sozinho.
Ao meu ver, investir em atividades práticas, intelectuais e físicas, no lazer, na dieta e na escrita produz uma saúde psicológica muito mais satisfatória do que qualquer conselho que um psicólogo comum poderia me oferecer.
E então qual seria o papel da literatura?
Afinal, quem inaugurou grande parte das categorias psicológicas foram, antes de tudo, os escritores e, depois, os filósofos.
Nietzsche chamava Homero e Horácio de grandes psicólogos.
Ele próprio, mais do que filósofo, dizia ser um psicólogo dos homens, das ideias e do passado.
Não se pode, portanto, subestimar a capacidade psicológica de alguém pertencente ao universo das letras.
Até porque o que permitiu a Freud fundar a psicanálise foi justamente o estudo dos antigos.
Nada se cria do nada.
Toda criação é sempre uma invenção construída sobre algo que já existia.