QUAIS OS LIVROS DA SUA VIDA?

Este texto surgiu da constatação dos supostos professores e teóricos da extrema direita.
Ora, eles se dizem professores, mas, na prática, só fazem discurso de ódio. Ensinar mesmo, ninguém nunca os viu. Lendo livro, também não.
Agora, empunhando arma, física ou fazendo arminha, falando contra mulheres ou vociferando contra minorias, isso pulula.
Também pretendia fazer uma sabatina com recantistas amigos, como aquelas do nosso decano Paulo Miranda, perguntando quais são os seus livros prediletos.
Porém, vai que são pegos de surpresa, igual Sergio Moro com sua “conja”, que, ao ser perguntado sobre qual livro estava lendo naquele momento, disse: “Agora você me pegou.”
Por isso, irei divulgar eu mesmo os livros da minha vida.
O personagem polido, educado, um burguês cândido, vai visitar seu primo num sanatório suíço pensando em ficar algumas semanas, mas acaba passando simplesmente sete anos numa jornada de autoconhecimento e descoberta, convivendo entre a vida, a morte e aquilo que transcende a morte, que é o amor.
Marcou-me sobremaneira.
Clássico que o cara leva no poço daquele filme violento, mas que, incrivelmente, me dá a maior fome.
Marcou-me muito, sobretudo pela passagem de Nietzsche quando escreveu que a tristeza e a beleza do livro estão na inversão do humor para o momento em que Dom Quixote se dá conta da sua triste condição.
O que me fez dar ainda maior destaque à obra, além das excelentes adaptações para o cinema, foi a análise de Slavoj Žižek de que o capítulo em que Mary Shelley permite que o monstro conte sua própria história é o que nos faz identificarmo-nos com ele.
E que o inimigo é, simplesmente, aquele cuja história se desconhece.
Todos falam do clássico Os Irmãos Karamázov, mas a discussão visceral sobre o niilismo e os personagens de Os Demônios, para mim, são mais marcantes.
E é um livro mais breve e, para mim, mais completo do que seu maior clássico, cuja história Dostoiévski ainda pretendia continuar em outra obra.
É a obra que mais li, leio e nunca terminei.
E, embora seja a que mais entenda, estou longe de compreendê-la totalmente.
Porque não é um livro. É simplesmente um baú cheio de escritos assinados por uma pessoa como B. S., Bernardo Soares, que um editor transformou em livro.
E quem sabe, no futuro, algum editor também não faça algo parecido com meus escritos desassossegados.
O teatro do absurdo como a obra que resume toda a condição absurda da existência.
Ser ou não ser. E o resto é silêncio.
Ps. Definitivamente o ChatGpt não gosta de mim e me envelheceu uns 20 anos.