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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

A POESIA BARROCA DA ARTE DE PERIFERIA

 


 


 

Leminski tem uma célebre aula no YouTube em que fala sobre grafite, comparando-o com a poesia, que, de fato, passou a figurar, a partir da década de 70, ao lado da poesia marginal.

 

Faz a ressalva de que o grafite está para a poesia e para a produção textual assim como o grito está para a voz.

 

E destaca que o que chama atenção no grafite é justamente sua essência marginal, de criminalidade mesmo, de quem depreda uma propriedade alheia e usa uma parede branca, um muro, como papel.

 

O poeta curitibano cita o trabalho do Museu da Imagem e do Som, que reproduziu grafites de presidiários como arte.

 


 

PEQUENA CURVA

Leminski disse que votou em um grafite como a melhor poesia curitibana numa revista conceituada: Pequena Curva.

 

Era simplesmente "pequena curva" escrito por quilômetros até a rodoviária e retornando até, de fato, formar uma não pequena, mas grande curva.

 

E imagina o poeta que talvez se tratasse de alguém que foi deixar sua amada na rodoviária e, para esperá-la, num gesto eterno e terminal, para imortalizar aquele momento, deixou esse grafite, assim como os corações tatuados com as iniciais do namorado. Ele tatuou o grafite na pele da cidade.

 

Só um berro como o grafite permite tal manifestação.

 


 

O TORTO TEM DIREITO

E explica seus próprios grafites.

 

Sentado não tem sentido, em frente a uma agência de publicidade onde só podia trabalhar sentado, como protesto.

 

E, para se compadecer com os direitos dos deficientes físicos: O torto tem direito.

 

Leminski destaca que o grafite não pertence a quem grafita, mas às pessoas que andam pela rua.

 

E é justamente como alguém que anda pela rua que gostaria de destacar estes grafites que vejo no dia a dia, como os que ilustram este texto.

 

É bom destacar que aquilo que o poeta chama de grafite não faz distinção da pichação, que, essa sim, guarda ainda mais a essência da criminalidade.

 


 

ALICE, VAN GOGH E O VERDE

E só o grafite de rua é capaz de colocar Alice com A Noite Estrelada, de Van Gogh, ao lado da poesia do verde que sobrevive ao furar o asfalto.

 

 

 

E até o nome da rua: Soneto da Rosa.

 

 

Ora, há alguma coisa mais poética do que um soneto em homenagem a uma rosa que guarda, em seu bojo, tão bonitos grafites?

 


 

O VALOR DE UMA ASSINATURA

E, na rua, esse grafite surreal, que poderia ser algo de Buñuel.
 

 

Se, em vez de anônimo, fosse assinado por OSGEMEOS, valeria uma nota.

 


 

UMA CAIXA DE PIZZA FEITA POR GENTE

Por fim, em tempos de inteligência artificial, é digno de nota que uma empresa de bairro, uma pizzaria desde 99, mais velha que muitos dos meus leitores, tenha contratado um artista humano para fazer suas caixas.

 

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 14/07/2026
Alterado em 14/07/2026
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