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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

A GERAÇÃO QUE DESAPRENDEU A FALAR

 


 

 


 

O EMPOBRECIMENTO DA LINGUAGEM

Eu entendo melhor inglês do que o “português” dessa nova geração de adolescentes!

 

Não precisa ser um gênio para constatar que a geração nova está emburrecendo sobremaneira, sobejamente.

 

Ok, essa crítica já era feita anteriormente. Mas, agora, ela é mais clara do que a luz do sol ao meio-dia. Basta observarmos sua comunicação — ou, melhor, a falta dela. A linguagem de marginal, o vocabulário exíguo dos adolescentes,— que não é prerrogativa dos de quebrada, dos suburbanos, de periferia, ou de qualquer grupo específico — mas alcança até mesmo as classes mais elevadas ou abastadas.

 

Principalmente entre os garotos, embora também não seja exclusividade deles. As garotas, talvez por conviverem e se relacionarem com eles, acabam seguindo o mesmo caminho.

 

A cada dez palavras pronunciadas, quatro são gírias, quatro são palavrões e uma é o verbo "to be", só que em português, claro. Porque, se mal falam português, imagine inglês.

 


 

O PENSAMENTO

Nem vou analisar estética, estilo, educação, repertório ou cultura. Aliás, relacionar essas palavras à adolescência de hoje é como colocar Neymar e Mbappé na mesma frase. Ou Brasil e França.

 

Se o pensamento é constituído de linguagem, qual é a qualidade do pensamento de alguém que não possui vocabulário? Que não sabe falar? Que não sabe se comunicar? Que não consegue exercer justamente a característica que mais distingue os seres humanos dos outros animais?

 


 

A CORRUPÇÃO DA LINGUAGEM

E isso também demonstra que é a sociedade que corrompe a juventude.

 

Nas minhas caminhadas pelos parques, observo que as crianças ainda se comunicam muito bem, principalmente as meninas, que parecem comunicadoras profissionais por vocação.

 

Conversam com os pais usando gestos, entusiasmo e uma impressionante riqueza de palavras.

 

Os pais, em contrapartida, respondem quase sempre por meio de monossílabos.

 

Até que, no futuro, corrompida pelo ambiente, aquela menina eloquente acaba se tornando o reflexo da pobreza linguística que a cerca.

 


 

ADEUS À LINGUAGEM

É como em Adeus à Linguagem, de Godard.

 

O casal, talvez formado por ex-adolescentes que desaprenderam a falar, já não consegue mais se comunicar.

 

Até que o cachorro passa a falar por eles e a intermediar a relação.

 

Não por acaso, trata-se de um dos últimos filmes de Godard — e ainda em 3D.

 

Talvez porque quem sabe se comunicar esteja sempre na vanguarda.

 

Ainda que a maioria continue preferindo viver como símios.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 09/07/2026
Alterado em 09/07/2026
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