O COMERCIAL DA VIVO-FIBRA É GORDOFÓBICO!

Outra denúncia, após eu denunciar o escândalo dos usuários que postam pornografia no Recanto das Letras — uns, literalmente, por meio de imagens; outros, metaforicamente, pela falta de qualidade do conteúdo.
Acho que encontrei minha verdadeira vocação: uma espécie de Ben Mendes ou Celso Russomanno da moralidade.
E o que é mais moral do que a denúncia de alguém amoral como eu?
Mas vejam bem: eu disse amoral, e não imoral. Que fique claro.
Agora, quem atenta contra a moralidade é a Vivo Fibra e o seu comercial.
Em primeiro lugar, pela absoluta falta de graça. Mas o fato de anunciarem na CazéTV é quase uma licença poética para serem sem graça, vide os comerciais e esquetes produzidos para divulgar as Olimpíadas naquela... emissora. Aliás, pode chamar de emissora alguém que atua apenas pela internet?
A única coisa que aqueles vídeos conseguiram arrancar de mim não foram gargalhadas, mas vergonha alheia.
Mas o comercial da Vivo vai além.
Ele mostra um gordinho ridiculamente apaixonado. Em frente à casa da moça, cercado de carros, balões e toda aquela parafernália romântica, ele declara seu amor.
Constrangida, ela finge que a internet travou.
Esse é o mote do comercial, o punch, como se diz em roteiro.
Então o gordinho responde que ela pode parar de fingir, porque ele sabe que ela tem Vivo Fibra.
Até aí, relativamente tudo bem.
O problema é que a câmera corta para ela dentro de casa, usando roupa de academia, garrafa d'água ao lado e praticando yoga.
A mensagem implícita parece ser que a demonstração de afeto de um gordinho por uma mulher esbelta não é socialmente legítima.
É o velho preconceito embalado em forma de piada: "é muita areia para o seu caminhãozinho".
Embora, no caso dele, o caminhão fosse praticamente uma betoneira.
A Vivo, assim, deslegitima, por meio de um suposto comercial engraçado, o amor de um gordinho por uma garota magra.
Mas eu absolvo os gordinhos.
Porque quem vê barriga não vê coração.
E, se o amor for proporcional à adiposidade, certamente não lhes faltará afeto.