A Resenha por Trás da Mudança da Palavra Resenha

E essa apropriação, pelos boleiros e/ou fanfarrões, da palavra resenha?
O mesmo aconteceu com narrativa, subvertendo totalmente seu significado original.
Ou seria essa também uma narrativa? Uma narrativa sobre a palavra resenha?
Agora, minhas resenhas sobre livros, filmes e jogos já não são mais resenhas. Resenha passou a significar conversa de bar regada a maconha e xeque-mate — ou qualquer reunião em que o importante é menos o assunto do que a companhia.
Na verdade, a geração mais nova é tão desinteressante que até as histórias engraçadas do futebol, os velhos causos de boleiro, talvez desapareçam no futuro.
Não porque o futebol acabou, mas porque ninguém mais parece viver algo que mereça ser contado. E, quando vive, não sabe contar.
Imagino uma resenha daqui a alguns anos.
Bernardo dirá que trocou o meião do Valentim como se fosse a maior das aventuras.
Enquanto isso, histórias como a de Vampeta contando que, numa festa, um jogador do Corinthians molhou a chupeta do filho na cachaça para a criança parar de chorar enquanto ele continuava bebendo, e tanto a criança quanto ele chegaram em casa mamadaços, acabarão parecendo episódios da mitologia brasileira.
Talvez o erro seja meu, afinal.
A linguagem é dinâmica e muda o tempo todo.
Talvez eu deva simplesmente passar a chamar minhas resenhas de ensaios.
Só espero que, no futuro, os Enzos, Bernardos e Valentinas não resolvam escrever ensaios rebuscados sobre como jogar Roblox e Fortnite.