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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

Um Lindo Videogame com Sócrates, o Filósofo

 




 

O FILÓSOFO

É bom destacar que se trata de Sócrates, o filósofo. Porque, certamente, Sócrates, o jogador de futebol e apreciador de destilados, já deve ter aparecido no FIFA.

 


Jogar Pentiment é menos parecido com jogar um RPG tradicional e mais com habitar um manuscrito medieval enquanto se participa de um longo debate sobre história, memória, religião, arte e verdade.

 

 

 

Tudo isso envolvido por uma direção artística belíssima, que remete à estética dos manuscritos iluminados do século XVI.

 


 

O QUE É ARTE?

O jogo suscita uma velha discussão: videogame pode ser arte?

 

E uma discussão ainda maior: o que é arte?

 

Fato é que algumas histórias só podem ser contadas por meio dos videogames. Pentiment é um desses casos.

 

Isso demonstra que cinema, pintura, literatura e videogame são linguagens, meios ou formas pelos quais a arte pode se manifestar.

 

A arte, em si, não é nenhum desses meios. Ela é uma categoria estética, uma atividade criadora, uma experiência que utiliza uma linguagem para existir.

 

Ora, um filme da Marvel não é arte apenas por ser cinema. Assim como um videogame não deixa de ser arte por ser videogame.

 

Disco Elysium e Pentiment, por exemplo, são momentos em que a arte escolheu justamente essa linguagem para se expressar.

 


 

AS CAMADAS DA HISTÓRIA

Pentiment deriva do italiano pentimento, termo utilizado na história da arte para designar os traços ocultos de uma pintura: marcas deixadas pelo artista quando muda de ideia durante sua execução. Com técnicas modernas, essas camadas escondidas podem voltar a aparecer sob a tinta.

 

A premissa parece simples: você controla Andreas Maler, um artista que chega a uma abadia na Baviera do século XVI e acaba envolvido em um assassinato.

 

Mas esse crime é apenas a porta de entrada para algo muito maior.

 

Sócrates aparece num espaço simbólico da mente de Andreas, uma espécie de palácio da memória.

 

Ali convivem figuras históricas, lendárias e alegóricas, representando diferentes formas de pensar e ajudando o protagonista a refletir sobre suas escolhas.

 

O jogo transforma essa ideia numa poderosa metáfora.

 

Assim como uma pintura guarda camadas invisíveis, a história humana também guarda versões ocultas, arrependimentos, correções e interpretações.

 

O que vemos na superfície nunca é tudo.

 


 

O TEMPO

Pentiment utiliza o videogame para fazer algo que poucos meios conseguem: mostrar que a verdade depende do tempo, da memória e do ponto de vista.

 

Como o tempo é limitado, escolher dedicar atenção a uma pessoa significa inevitavelmente deixar outra sem ela.

 

O jogo faz você sentir o custo de cada decisão.

 

O verdadeiro protagonista é o tempo.

 

A narrativa acompanha aproximadamente vinte e cinco anos.

 

Você vê crianças crescerem, adultos envelhecerem, edifícios se transformarem e tradições desaparecerem.

 

Poucos jogos conseguem representar tão bem que a história é um processo lento.

 

E talvez seja justamente por isso que Pentiment demonstre, de maneira tão elegante, que a arte é uma forma capaz de utilizar até mesmo um videogame para se manifestar.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 04/07/2026
Alterado em 04/07/2026
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