
Os espanhóis falam tesión, como na música de Mercedes Sosa. Já tesão, eu sempre achei uma palavra meio vulgar. Como uma palavra tão feia pode designar uma sensação tão boa no corpo, eu não sei.
E como uma garota tão pacata, alva, bucólica e idílica pode despertar justamente esse sentimento, também não sei.
Mas desperta.
Me recuerdo, para continuar no castelhano, de que antes ela despertava apenas amor. Depois que a redescobri, além da menina, descobri uma linda mulher.
Quando menina, lembro que gostava da palavra “diversas”. Gostava de ver diversos filmes — Ou melhor, filmes diversos, porque outra das suas belas idiossincrasias literárias era colocar o adjetivo DEPOIS do substantivo — por isso preferia baixá-los a assisti-los no cinema, diferentemente de mim.
Gostava de literatura, mas também de cinema: Bergman, Persona. Gostava de Pessoa e de escrever seus próprios versos.
Hoje, mulher, ressentia-se por não escrever mais, sentindo-se como um pássaro branco na nevasca.
Angústia, de Graciliano Ramos, e Rubem Alves eram referências de um amor que acendia a lua.
De séries, Lost já não gostava. Mas gostava de dar um... lost. Até hoje.
Algumas coisas nunca mudam.
Se fosse como antes, demoraria quase doze horas para responder este texto.
Hoje, talvez responda apenas com o silêncio.
O que não é silencioso é o amor. Nem o tesão.
Ou melhor, a excitação — palavra fisiologicamente mais honesta.
Como não se excitar por uma garota assim, com tantas qualidades, justamente porque são pacatas, discretas e silenciosas?