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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

Só Almofadinhas Esnobes Estão Chorando pelo Fim da Mídia Física

 




 

O DRAMA

Imagino o que Zema diria de um monte de “marmanjão”, já na casa dos trinta ou quarenta anos, chorando no YouTube porque a Sony anunciou que, a partir de 2028, deixará de produzir mídia física, seguindo um movimento absolutamente natural do mercado.

 

Confesso que esse tema talvez rendesse mais um vídeo no YouTube do que um texto por aqui. Quem sabe até viralizasse, já que boa parte do meu público sequer sabe o que é um joystick e, talvez, se visse um, acabasse usando-o como um consolo, daqueles de sexy shop mesmo, principalmente os da época do Atari. Ou do nintendo Wii e Wii U.

 

Além do mais, se eu gravasse esse vídeo e esquecesse meu login aberto aqui em casa, provavelmente ele já superaria o número de visualizações que este texto terá.

 


 

TER OU DESFRUTAR

Fato é que quem está chorando pelo fim da mídia física são, sobretudo, almofadinhas esnobes.

 

Aqui em São Paulo, do além-Rio Tietê, ninguém está falando disso.

 

Porque mídia física também significa possuir, ostentar, exibir; e seu ápice encontra-se justamente no colecionismo. Talvez seja por isso que essa categoria esteja tão desesperada.

 

Para nós, inclusive para quem, como eu, viveu a transição entre a era analógica e a digital, o importante sempre foi ter acesso ao jogo, seja de que forma for.

 

Poderão dizer que não tenho lugar de fala para discutir videogames. Talvez. Mas certamente tenho para falar de livros.

 

E, para mim, jogo digital é muito parecido com livro digital. Ter uma estante cheia de caixas ou volumes físicos muitas vezes revela uma idiossincrasia esnobe de quem se preocupa mais em possuir do que em desfrutar do conteúdo.

 

Se não fosse assim, haveria menos colecionadores de prateleiras e mais leitores e jogadores.

 


 

O ACESSO

Entendo perfeitamente que, comprando uma versão digital, o item não é verdadeiramente meu. Se eu perder a conta, posso perder tudo.

 

Isso, inclusive, já aconteceu comigo. Perdi um jogo que havia comprado no Meta Quest e jamais fui reembolsado.

 

A solução que encontrei foi piratear, como procuro piratear praticamente tudo aquilo que é exclusivamente digital.

 

Vivemos na era da alocação de serviços, do streaming e da assinatura permanente. Se quero consumir algo de um catálogo, procuro a empresa que oferece o melhor acesso digital. A missão das empresas é tentar lucrar a qualquer custo. E o meu, como consumidor, é conseguir usufruir desse produto pelo menor preço possível, principalmente de graça.

 

É para esse modelo de negócios que o capitalismo caminha.

 

Ir contra essa tendência talvez seja apenas uma forma de obscurantismo tecnológico.

 

Ou, simplesmente, mais um esnobismo de elite.

 


 

O CONTEÚDO

Veja o Cogu, do Cogumelando — que é uma espécie de Pirula dos games só que sem a parte do AVC — por exemplo, que nasceu e mora na favela. Duvido muito que ele esteja realmente preocupado com isso. Talvez grave um vídeo apenas porque o assunto gera engajamento.

 

Para quem valoriza mais o conteúdo do que sua materialidade, o importante continua sendo desfrutar da obra e, principalmente, fazer alguma coisa com aquilo que consumiu.

 

Colecioná-la é apenas uma possibilidade. Nunca a finalidade.

 

ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 02/07/2026
Alterado em 02/07/2026
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