Posso te Fazer uma Pergunta Meio Indiscreta?

— Você é feliz?
— Você gosta da vida que leva?
Ou, na pergunta tipicamente foucaultiana:
O que estamos fazendo de nós mesmos?
Não existe pergunta indiscreta. Existe apenas pergunta reveladora.
E, muitas vezes, a pergunta revela mais do que a própria resposta.
Aliás, o que exatamente uma resposta a uma pergunta de cunho erótico, sexual ou lascivo efetivamente revela sobre uma pessoa?
Curiosamente, perguntar sobre sexo costuma ser socialmente aceitável. Mas perguntar sobre felicidade...
Sobre a vida que alguém leva...
Sobre os seus valores...
Isso parece profundamente invasivo. E é realmente. As perguntas mais indiscretas são as que mais revelam sobre nós. Por isso uma pergunta sobre sexo nunca pode ser indiscreta.
Talvez perguntas só sejam indiscretas quando ainda não existe intimidade.
Depois de certo ponto, perguntar deixa de ser invasão. Pode passar a ser cuidado.
Ou o contrário.
Às vezes, a maior intimidade é justamente não perguntar.
É perceber o desejo do outro antes mesmo que ele se manifeste pela palavra. Intuí-lo.
Acho que aí reside o âmago daquilo que chamamos de intimidade.