
Muitos dos problemas relacionados à saúde pública seriam facilmente eliminados com a extinção daquilo que, no popular, chamamos de gordices.
Todo mundo, por mais que não esteja acima do peso, conhece, já cometeu ou conhece alguém que pratica ou é adepto fiel das gordices.
É um termo tão eficiente e didático que praticamente dispensa explicação.
É aquele sujeito que coloca leite condensado na bolacha, pede camada quádrupla de cobertura no sorvete do McDonald's, acrescenta mais quatro hambúrgueres ao Big Tasty duplo e por aí vai.
Isso equivale não apenas ao aumento do peso e da adiposidade relativa, reduzindo a energia, o sex appeal e a disposição, mas também ao aumento da pressão alta, do colesterol, da glicemia e de praticamente todos os marcadores relacionados às doenças crônicas graves.
Só o que não é alto costuma ser a testosterona e a libido.
A adiposidade é um sintoma do modo de vida.
A gordura, na nossa sociedade de excesso calórico, vale muito pouco.
Ela corresponde à energia acumulada por um corpo que consome muito mais do que gasta, produzindo um ambiente obesogênico.
Ora, não me venham dizer que toda obesidade é genética. Pode haver influência genética. Mas ela também é profundamente psicológica e comportamental.
Emagrecer é quase uma equação matemática.
Gastou mais calorias do que consumiu ? Entrou em déficit calórico. Vai emagrecer É um dado da natureza.
As canetinhas apenas forçam esse déficit calórico através de uma injeção. Não criam motivação para fazer exercício. Não ensinam ninguém a cozinhar melhor. Não eliminam as gordices. Eliminam, sobretudo, a fome. E, com ela, parte da mentalidade de gordo.
Eu mesmo, com o ritmo da Copa, aderi parcialmente a essa mentalidade. Sem dúvida isso deve aparecer nas minhas imagens e exames.
A mentalidade de gordo tem muito a ver com a preguiça.
Para não cozinhar, pede-se um iFood.
Para não fazer um simples omelete, compra-se uma dúzia de pães de queijo recheados.
Em casos mais extremos, recorremos aos produtos alimentícios ultrapalatáveis e baratíssimos: bolachas, salgadinhos, doces e toda sorte de alimentos ultraprocessados.
Quase sempre custam menos do que comida de verdade. E assim vamos acumulando quilos de peso. E não quilos de consciência.