A curiosidade não está em eu ter saído feio na fotografia. Isso acontece com frequência suficiente para não surpreender ninguém. Aliás, não existe foto feia, existe foto sem filtro. Em outras palavras: não existe homem feio, existe homem que não usa os produtos PhotoShop da Jequitibá.
O curioso é outra coisa.
Selfies e imagens refletidas no espelho não mostram exatamente como somos vistos pelas outras pessoas. A curta distância entre a câmera e o rosto produz distorções na perspectiva, alterando proporções, simetria e volume. O nariz, por exemplo, costuma parecer maior. E certas assimetrias tornam-se mais evidentes.
Não que meu nariz seja propriamente um monumento à geometria euclidiana. Em alguns ângulos, ele parece mais próximo do Senhor Batata, de Toy Story, do que dos modelos renascentistas.
Mas existe um detalhe reconfortante.
Fotografias tiradas a dois ou três metros de distância costumam reproduzir de forma muito mais fiel a imagem que os outros têm de nós. A perspectiva é mais natural. As proporções se aproximam daquilo que efetivamente enxergam quando conversam conosco. Como essa:

Portanto, a conclusão é simples.
Aos olhos dos outros, sou mais bonito.
Aos meus próprios olhos — os do espelho e da selfie — sou apenas bonito mesmo.
O que, convenhamos, já não é um resultado tão ruim assim.