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DAVE LE DAVE
SIM, ELE MESMO
Textos

 

O TRABALHO É O ENTORPECENTE MAIS CONSUMIDO NO MUNDO

 




 

NEGÓCIO E ÓCIO

Negócio, etimologicamente, é a negação do ócio.

 

Quem não está no negócio está no ócio.

 

E quem não está nem no negócio nem no ócio está trabalhando. Essa forma de entorpecimento mais consumida no mundo.

 

Porque o trabalho é distração e entretenimento. Oferece estímulos cada vez mais rápidos. Faz o indivíduo sentir-se útil. Participar do mercado capitalista através da produtividade e do consumo. Que é o último estágio da utilidade: a fruição do produto que o próprio capital produz.

 

Mas, ironicamente, quanto mais se trabalha, menos o trabalhador é capaz de comprar os produtos que ele mesmo produz.

 

Quanto mais se trabalha, mais pobre se é. E não apenas materialmente. Sobretudo espiritualmente.

 


 

O ÚLTIMO HOMEM

A figura central dessa condição aparece em Assim Falou Zaratustra, através de uma figura fantasmagórica que é justamente o contrário do além-do-homem. O último homem. Uma criatura que valoriza acima de tudo o conforto. A segurança. O nivelamento da sociedade. Escorando-se sempre uns nos outros. Já não se importa com a distinção. Com a singularidade. Com a individualidade. Por isso trabalha. E toma cuidado para que a diversão não o canse.

 

Tem seu pequeno prazer durante o dia. E seu pequeno prazer durante a noite. E com essa fórmula acredita ter descoberto a felicidade.

 

Ninguém mais quer criar. Ninguém mais quer ser diferente. Todos querem ser iguais. E essa igualdade aparece no trabalho. E talvez também no comunismo. Na tentativa de nivelar todos os indivíduos. No absurdo de distribuir os bens igualmente. Igualando os desiguais. Porque de “direito” todos são iguais. Mas de “fato” e por “mérito”, potência, talento e singularidade ninguém se parece com ninguém.

 


 

O ARTISTA E O OPERÁRIO

Se essa sociedade produz algum tipo de indivíduo, produz indivíduos laboriosos. Homens e mulheres que utilizam o trabalho como forma de entorpecimento para não precisar pensar na própria pobreza.

 

Para essa sociedade do trabalho sem significado e sem fundamento, nada é mais perigoso do que o indivíduo singular. Aquele cuja maior criação é a própria vida. A própria existência. A própria individualidade. A vida transformada em matéria-prima da arte. Mas para isso é necessário ócio. Lazer. Tempo livre.

 

E como ressalta Nietzsche:

 

"Quando falo sobre o prazer do ócio, lazer e preguiça, não estou falando com vocês, preguiçosos."

 

Porque, muitas vezes, trabalhar incessantemente é a maior forma de preguiça. É economizar energia. É repetir tarefas. Repetir ações. Sem questionar. Sem criar. Sem produzir algo novo. Apenas seguir padrões. Metas. Regras. Como Chaplin na fábrica. Mas apenas o personagem.

 

Porque Chaplin, o artista, o cineasta e o comediante, era justamente o contrário. Era o ocioso criador. E por isso se tornou imortal.

 


 

O DESPERDÍCIO NECESSÁRIO

Como diz Bataille, o conservadorismo de guardar para usufruir depois da vida é uma forma de imoralidade. E talvez de burrice.

 

A energia vital quer fluir. Quer se expandir. Quer gastar-se. Quer consumir-se em vida. Jamais conservar-se.

 

A conservação excessiva. A obsessão pela segurança. São reflexos de indivíduos fracos e malogrados.

 

O poder verdadeiro não quer apenas acumular. Quer transformar. Quer circular. Quer expandir a própria produção de energia enquanto ainda existe vida para vivê-la.


ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL)
Enviado por ESCRITOR DAVE LE DAVE II (OFICIAL) em 17/06/2026
Alterado em 17/06/2026
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