Em homenagem à minha amiga Flora — que parecer odiar tanto futebol quanto odeia seus ex-namorados bem como os atuais —, a página oficial de Dave Le Dave (e página oficial mesmo, não aquela coisa CRINGE de “Dave Le Dave Oficial”; afinal, a pessoa só é conhecida pela própria família e já aparece no Instagram como “Robson do Pandeiro Oficial”. Calma lá, né?) entrará definitivamente no clima da Copa do Mundo.
Até o fim do torneio, os textos publicados por aqui serão, predominantemente, sobre futebol. Digo predominantemente porque sempre existe uma variável impossível de prever: a arbitrariedade do meu humor idiossincrático. Mas, salvo raríssimas exceções, falarei de Copa do Mundo.
Para mim, o futebol funciona como uma espécie de fuga da realidade. Não da realidade concreta, mas daquela realidade platônica, do mundo das ideias, onde costumo passar boa parte do tempo. A banalidade do futebol me aproxima do cotidiano das pessoas. Talvez aconteça o mesmo com o humor, os videogames e outras amenidades da vida comum.
São justamente essas atividades aparentemente triviais que funcionam como meu ponto de contato com o mundo ordinário. Como me recuso, por razões filosóficas, a transformar a vida alheia em objeto de conversa; em outras palavras, a fofocar, preciso encontrar outros temas para compartilhar com as pessoas. E são esses hábitos normais do vulgo — futebol, humor, entretenimento — que acabam me fornecendo matéria-prima para a convivência social.
No fundo, acompanhar uma Copa do Mundo talvez seja menos uma paixão esportiva do que um exercício de integração à experiência coletiva. Enquanto bilhões de pessoas observam a mesma bola rolando pelo gramado, até alguém excessivamente inclinado à abstração encontra um caminho de volta à terra firme. E, por algumas semanas, isso já me parece motivo suficiente para falar de futebol.