Sem jogadores estrangeiros, sem argelinos, sem africanos, sem negros ou mulatos?
O técnico Didier Deschamps teria de voltar a jogar ao lado de Rabiot e Hernández — embora esse sobrenome me pareça latino demais para os critérios dessa convocação imaginária.
Porém, em compensação, se parodiássemos o célebre esquete de futebol dos filósofos do grupo Monty Python, em que gregos e alemães se enfrentam em campo, como seria a escalação da França?
No gol, obviamente, Albert Camus. Não apenas pela estatura física, mas porque ele realmente foi goleiro antes de se tornar um dos grandes intelectuais do século XX.
Na lateral direita, o baixinho e veloz Jean-Luc Godard. Na zaga, Roland Barthes e François Truffaut. Na lateral esquerda, Jean-Paul Sartre.
No 4-4-2, os volantes seriam Marcel Proust e Stendhal que, pelo peso de suas obras — e talvez também da balança — precisariam correr o mínimo possível.
Pelas pontas, o ludismo infantil, leve e irrequieto de Antoine de Saint-Exupéry e, para controlar o tempo do meio-campo, ninguém menos que Henri Bergson.
No ataque, como enganche, Honoré de Balzac. E, como centroavante, Jean-Jacques Rousseau.
No banco ainda estariam René Descartes, Victor Hugo e Gilles Deleuze, que sempre causa problemas quando entra em campo.
E, liderando a torcida organizada, Michel Foucault e Félix Guattari, que, obviamente, não gostam de jogar futebol. Ficariam apenas na arquibancada, portanto.
Michel de Montaigne preferiu não entrar em campo. Limitou-se a assistir à partida de uma distância prudente e, mais tarde, a escrever alguns ensaios e impressões sobre o match. Ao lado do seu muito amigo, Étienne de La Boétie.
Com esse time, acho que do Senegal, pelo menos, daria para ganhar. Ao menos no pensamento e na arte. Em campo, porém, já não me arriscaria a fazer a mesma aposta.